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Garotas de projeto da USP ganham menção honrosa em competição internacional de tecnologia – Jornal da USP


O app Interpret conquistou o prêmio de melhor aplicativo da América Latina na categoria Iniciantes da “Technovation Girls”

 

A imagem é um print do vídeo de apresentação da equipe do APP Interpret. Em frente a um fundo azul-marinho quadriculado, há fotos das meninas Estela, loira, de olhos escuros e sorrindo; Larissa, de cabelos castanhos, camiseta vermelha e com um leve sorriso, Lorena, de cabelos escuros, que está em um balanço em meio à natureza; e Mariana, de cabelos cacheados e escuros, olhos escuros, com uma regata branca e sorridente. Mariana aparece duas vezes, uma em foto e outra em um pause de sua explicação do vídeo, onde está com mechas rosas.
Equipe desenvolvedora do aplicativo Interpret, premiado como melhor da América Latina na competição Technovation Girls na categoria Iniciantes – Foto: Reprodução/TechschoolF

 

As estudantes que criaram o app Interpret ganharam menção honrosa na competição internacional Technovation Girls, que reúne aplicativos criados por garotas de todo o mundo. Elas foram as únicas representantes do Brasil na semifinal da categoria Iniciantes, para meninas de 8 a 12 anos. Outros 15 projetos de estudantes brasileiras chegaram até a semifinal.

Destinado a ajudar adolescentes na interpretação de textos de forma lúdica, o Interpret foi desenvolvido por quatro meninas durante a escola de verão Technovation Summer School for Girls (Techschool): Estela Herold, Larissa Zaniboni, Lorena Zini e Mariana Balieiro dos Santos. Com o app, é possível ler e ouvir histórias, além de responder a perguntas que estimulam a compreensão dos textos, formuladas com apoio de ferramentas de inteligência artificial.

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Posted: 12/02/2025

Estela, Larissa, Lorena e Mariana estão entre as 750 garotas de 8 a 18 anos de todo o Brasil que já passaram pela Techschool. Com foco no desenvolvimento de aplicativos, a escola aborda programação, noções de empreendedorismo, gestão e marketing. Além da capacitação técnica, a iniciativa propõe um espaço de colaboração entre estudantes, aprimorando habilidades como trabalho em equipe, comunicação objetiva, gestão de projetos e contato com o mundo da ciência e da tecnologia.

A escola é uma das ações do Grace (Grupo de Alunas nas Ciências Exatas) do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos e já está em sua sétima edição. “Foi muito legal essa experiência que o Grace proporcionou, muito inesquecível. É um mundo em que eu não fazia ideia que poderia entrar, mas quando entrei, me apaixonei”, conta Mariana.

O grupo de extensão é integrante da Rede de Ensino Brasileira em Engenharias e Ciências Exatas (Rebeca), que busca conectar e impulsionar projetos voltados à promoção da diversidade e da inclusão nas ciências exatas e engenharias. A rede foi criada pelas professoras do ICMC Lina Maria Garcés Rodriguez, coordenadora do Grace, e Kalinka Castelo Branco, vice-diretora do ICMC. Por meio de uma chamada especial do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a rede conquistou R$ 1,27 milhão, que estão sendo empregados em bolsas e iniciativas espalhadas por todas as regiões do Brasil pelos próximos três anos.

Quem foram as semifinalistas da Techschool?

Os apps Raízes e TinyBites foram semifinalistas na categoria sênior da competição, voltada para quem tem de 16 a 18 anos. O Raízes ensina a língua tupi-guarani, buscando valorizar a diversidade indígena e preservar o patrimônio cultural linguístico brasileiro. Três garotas desenvolveram a solução: Alice Maria Françoso, Ana Clara de Oliveira Silva e Nathalia Yumi Mori Meyaguskui.

“Ter chegado até uma semifinal internacional foi muito especial, porque além da oportunidade já ter sido incrível, a conquista reforçou ainda mais que todo o esforço valeu a pena. Com certeza, foi uma experiência que vou levar comigo”, revela Nathalia.

Meninas do time, da esquerda para a direita: Juliana Rocha, CEO, de cabelos ondulados, longos e castanhos, óculos e batom vermelho; Ana Clara Braz, CTO, de cabelos lisos, longos e castanhos, com um leve sorriso; Nathalia Meyagusku, designer, de cabelos lisos e pretos e com um leve sorriso; Alice Françoso, pesquisadora de comunidade, de cabelos castanhos, cacheados e presos pela metade, olhos castanhos e com um leve sorriso; e Ana Clara Silva, do marketing, com mechas loiras, olhos escuros e expressão mais séria.
Equipe desenvolvedora do aplicativo Raízes – Foto: Reprodução/Techschool

 

Já o TinyBites foi desenvolvido para combater a obesidade e a desnutrição infantil. O aplicativo apresenta uma alternativa prática e educativa no preparo de refeições balanceadas, mostrando opções de pratos nutritivos a partir dos ingredientes e do tempo disponível. Há também adaptações para crianças alérgicas. A criação é resultado do trabalho de Isabelle Milena Pereira Rodrigues, Laís Bembo de Freitas, Lindicy Jheiny Souza Chagas, Luana Assunção Vitorino e Taís Daniely Stefani.

“Essa vivência reforçou meu interesse pela área de tecnologia e inovação, além de me proporcionar crescimento pessoal, técnico e colaborativo. Desde então, me apaixonei pela iniciativa, que vai muito além da tecnologia, promovendo empoderamento e transformação”, conta Isabelle, que também participou da Techschool em 2024.

A estudante comenta que, ao ser selecionada para a semifinal, se emocionou ao ver como a dedicação das colegas e dos mentores teve resultado e percebeu a importância do trabalho em equipe. “Em 2025, a experiência foi ainda mais significativa e, por isso, pretendo continuar participando em 2026, agora na posição de mentora, com o objetivo de ajudar outras meninas a trilharem caminhos semelhantes”, fala a jovem.

Como os aplicativos são criados

As garotas da Techschool começam o trabalho mapeando problemas da sociedade, categorizados de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Após a definição das problemáticas, as equipes iniciam a fase de idealização dos aplicativos com o apoio de mentores voluntários, que atuam em diversas áreas do conhecimento.

Para produzir os aplicativos, as garotas são divididas nas mesmas três categorias do prêmio internacional: a Iniciante, de 8 a 12 anos; a Júnior, de 13 a 15 anos; e a Sênior, de 16 a 18 anos. Ao final, as alunas apresentam um pitch, vídeo que explica como funciona o aplicativo, um outro vídeo técnico e o código fonte do produto. Elas também precisam descrever suas jornadas de aprendizagem e, caso participem de um grupo sênior, elaborar um plano de negócios. Após as entregas, a própria Techschool oferece prêmios aos melhores projetos.

“Cada participante da equipe focou no que tinha mais afinidade, então, algumas ficaram com a parte de plano de negócios, edição de vídeo e outras com a programação. Eu acho que todas conseguimos aprender mais sobre cada uma dessas áreas e sobre o processo de desenvolvimento de um sistema de uma forma mais prática”, explica Luana.

Várias garotas estão sentadas em cadeiras umas ao lado das outras, em um auditório. Elas vestem uma camiseta branca e rosa-claro, uniforme da TechSchool.
Alunas participantes da Techschool em 2018: primeiro ano da iniciativa – Foto: Reprodução/ICMC-USP

 

“Esse ano foi a terceira vez que eu participei da Techschool e com certeza irei participar de novo, porque em todas as vezes a equipe sempre estava disposta a ajudar e as aulas são muito boas”, diz Estela.
Todas as meninas que participam da escola são incentivadas a inscrever os projetos na Technovation Girls. Na competição, cinco equipes de cada categoria são finalistas das premiações internacionais e regionais. Neste ano, o Brasil não terá nenhuma equipe na final internacional, que acontece dia 19 de setembro, de forma remota.

Confira as apresentações dos aplicativos das semifinalistas:
Interpret: https://www.youtube.com/watch?v=MI5gFBmn92c&t=1s
Raízes: https://www.youtube.com/watch?v=4LSLd7bWVws
TinyBites: https://www.youtube.com/watch?v=uDDzJhT6Hiw&t=1

Mais informações:
Site da Technovation Girls: https://technovationchallenge.org
Site brasileiro da competição: www.technovationbrasil.org
Grace: https://grace.icmc.usp.br/ e www.instagram.com/grace.icmc.usp

Texto: Sabrina Gomes, estagiária da Assessoria de Comunicação do ICMC-USP sob supervisão de Denise Casatti





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