terça-feira, março 17, 2026
HomeConsumo conscienteGestão de desastres ambientais exige articulação e integração – Jornal da USP

Gestão de desastres ambientais exige articulação e integração – Jornal da USP


A partir de reflexões dos desastres ambientais de 2023 em São Sebastião, a equipe do Movimento RUA (Resiliência Urbana em Ação) traz experiências e reflexões

Visão em plano geral de uma área de encosta atingida por um deslizamento de terra
As ações de combate a desastres são fragmentadas, reativas e setorizadas Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Logo da Rádio USP

Dados da Confederação Nacional dos Municípios mostram que entre 2013 e 2022 mais de 90% das cidades brasileiras enfrentaram algum tipo de desastre. Só no ano de 2023, mais de 1.600 municípios decretaram situação de emergência por conta de algum evento climático extremo. Para o enfrentamento de desastres cada vez mais recorrentes, é necessário conhecimento, informação e preparo nos territórios.

“O mais importante para destacar aqui é que o impacto desses eventos nunca é igual para todos. Quem mora em áreas de risco, que não tem uma infraestrutura básica, vai ser sempre o mais afetado, que foi o que a gente viu em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, em fevereiro de 2023”, começa Tatiana Tucunduva, integrante do Movimento RUA e pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da USP. Com o avanço da emergência climática estamos todos sujeitos a desastres naturais, embora regiões de risco sejam sempre as mais vulneráveis a eventos extremos.

Tatiana Tucunduva P. Cortese – Foto: Reprodução/IEA-USP

Fragmentação da ação

A partir das reflexões sobre o desastre de São Sebastião, os pesquisadores identificaram que as ações de combate a desastres são fragmentadas, reativas e setorizadas. Ainda há nas cidades brasileiras a necessidade de planejamento, dados qualificados e integração, para que possam ser organizadas respostas articuladas entre as diversas equipes de resposta a desastres. “A gente precisa de um plano intersetorial, de um compartilhamento de dados qualificados. Isso está relacionado à necessidade de uma resposta coordenada que evite duplicidade de esforço. Quando a gente apenas age de maneira reativa e setorizada, como eu apontei anteriormente, normalmente se aprende muito pouco com aquilo que aconteceu antes”, completa Marcelo Nery, integrante do Movimento RUA e coordenador de Transferência de Tecnologia do Centro Colaborador da OPAS/OMS no Núcleo de Estudos da Violência.

Nery destaca a insuficiência da prevenção no caso de São Sebastião. Segundo ele, embora se conhecessem as áreas de risco na cidade, o poder público não foi capaz de evitar a ocupação desses locais. Nery também comenta que, embora a defesa civil da cidade tivesse informação o suficiente para agir, não houve um preparo para conseguir repassar essas informações às defesas civis e equipes de apoio de outras regiões que vieram auxiliar na situação e no resgate da população.

Marcelo Batista Nery – Foto: Reprodução/NEV

(Re)construir melhor

Ambos os pesquisadores explicaram que a metodologia do RUA, consiste em aprender com os casos passados. Nery comenta: “Dentro da metodologia do RUA, a gente trabalha com a ideia do Build Back Better que é o seguinte: aconteceu alguma coisa, a gente não pode reconstruir pensando em voltar à situação que se tinha antes. Temos que reconstruir melhor, temos que construir de uma maneira que o risco que havia antes não volte. A gente percebe que muito pouco disso se observa em São Sebastião.” Já Tatiana afirma: “quando a gente não trabalha o antes, o depois vai se tornar muito mais doloroso, muito mais caro, tanto em relação às vidas quanto à infraestrutura e à reconstrução”.

Tatiana também comenta sobre o Marco de Sendai, um documento adotado pelas ONU e que traz diretrizes para a prevenção de riscos e gestão de desastres. A pesquisadora também comenta a necessidade de velocidade nos investimentos em gestão de desastres. Investimentos na capacitação de gestores, governança inclusiva e melhorias na comunicação e contato com a população podem ser passos importantíssimos na preservação de milhares de vidas.


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 



Fonte

Mais populares

- Anúncio-
Google search engine