Depois de apresentarem o sarau, na USP em Pirassununga, estudantes angolanos participarão, em 7 de outubro, da “Mostra USP Ecofalante”
Por Maykon Almeida*

Graduandos angolanos vinculados ao Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), do Governo Federal, participaram do 10º Congresso de Graduação da USP, que aconteceu entre os dias 6 e 8 de agosto, no campus da USP, em Pirassununga. Na oportunidade, os estudantes da Escola de Enfermagem (EE) e da Faculdade de Saúde Pública (FSP), ambas da USP, e de outras instituições de ensino superior — que fazem parte do projeto De Braços Abertos — apresentaram o sarau Entre Mundos. A apresentação, idealizada pelos intercambistas angolanos e graduandos da EE-USP, foi um mergulho na cultura de Angola por meio da música e da poesia. O Congresso de Graduação é promovido anualmente pela Pró-Reitoria de Graduação e teve como tema, neste ano, Educação 6.0: inovação no ensino para promover qualidade de vida, sustentabilidade e justiça social.
O evento em Pirassununga teve como objetivo a promoção do diálogo entre estudantes, professores e profissionais da educação sobre as transformações pedagógicas, e recebeu o projeto De Braços Abertos, coordenado pela professora Nayara Gonçalves Barbosa, da EE-USP. Desde 2024, o projeto promove o acolhimento de estudantes intercambistas da pós-graduação do PEC-G, do Governo Federal.

“Para além das atividades culturais, o projeto acompanha de perto as necessidades acadêmicas, sociais, emocionais e de adaptação ao Brasil dos estudantes internacionais”, afirma Nayara. Além de estudantes angolanos, De Braços Abertos também recebe estudantes do Gabão, Cabo Verde, Haiti, entre outros países.
O sarau se iniciou com o Hino Nacional de Angola. Em seguida, a apresentação da música Angola (País Novo), do músico Matias Damásio, conduzida por Dorcas Maria Wadiwa Adriano, estudante de graduação da EE-USP. “Falar do meu país, Angola, tem sido sempre emocionante durante esse percurso estudantil, e desta vez não foi diferente. Foi épico e emocionante também! Espero poder participar de vários outros congressos levando e apresentando o melhor dos nossos mundos”, afirma a estudante.
Daniela Baltazar, estudante de Relações Internacionais, apresentou o poema autoral Justiça Social. A poesia, que também é de autoria de seu irmão, expõe as experiências dos imigrantes em relação ao racismo e à desigualdade social no Brasil. Em sequência, Adilson Watambue, da FSP-USP, declamou o poema, também autoral, O Clamor de uma Nação.

Em duas oportunidades foram feitas homenagens ao poeta, médico e primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto, que acreditava em uma transformação sociocultural por meio da literatura e da arte. Na primeira, Carmen Pambassangue, da EE-USP, recitou o poema Havemos de voltar. Nesse poema, Agostinho apela e retrata a ânsia por uma Angola rica em sua cultura, tradições, ritmos e liberta. “Para mim tem um significado imenso e de certo modo me faz voltar e lembrar das minhas origens e crenças, me fazendo ter certeza que ainda posso sonhar e esperar por uma Angola melhor”, diz Carmen.
Já em Adeus a Hora da Largada, interpretado por Adilson Watambue, o poeta conversa com os angolanos que viveram o período pré e pós-independência do país, e os chama para lutarem pela construção de uma nação melhor. “Eu e os meus companheiros tivemos a oportunidade de deixar algo nosso, de nossa terra, cultura, de nossa Angola para o povo brasileiro, e isso é muito especial para nós”, afirma Adilson.
Havemos de voltar
(António Agostinho Neto)
Às casas, às nossas lavras
às praias, aos nossos campos
havemos de voltar
Às nossas terras
vermelhas do café
brancas de algodão
verdes dos milharais
havemos de voltar
…
Havemos de voltar
À Angola libertada
Angola independente.

Por fim, Miguel Kalawaku André, estudante de Engenharia, apresentou a música Losingo Malembe, do cantor angolano Totó, que celebra a vida simples e a generosidade. “[…] não acelera o carro da tua vida só porque o teu próximo está a fazer./ Saiba de onde vens, onde estás e por onde vais. /Saiba os teus objetivos e corra na velocidade dos teus sonhos. A vida é devagar”, afirma Totó ao longo da letra.
Além do acolhimento de estudantes intercambistas, o projeto De Braços Abertos também promove o CineVozes: filmes além das fronteiras, um cinedebate, de fluxo contínuo, no qual os estudantes internacionais escolhem filmes e documentários de seus países de origem e, em seguida, conduzem um debate em grupo. “A motivação é que possamos criar conexões culturais, promover conhecimento, vivências, acolhimento e empoderamento”, diz Nayara.
A próxima sessão do CineVozes será na Mostra USP Ecofalante, com a exibição do filme (D)elas – mulheres pretas e o direito de ocupar.
Serviço
(D)elas – mulheres pretas e o direito de ocupar
Data: 7 de outubro de 2025
Horário: 17h30
Local: EE – Sala Profa. Edith de Magalhães Fraenkel – Antiga sala 27 (Quadrilátero Saúde/Direito)
Responsáveis pelo debate: Carmen da Glória Candele Pambassangue – estudante de graduação internacional (EE-USP); Dorcas Maria Wadiwa Adriano – estudante de graduação internacional (EE-USP); Adilson Barboso Mazenzele Watambue – estudante de graduação internacional (FSP), sob supervisão da profa. dra. Nayara Gonçalves Barbosa – docente do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica da EE-USP.
*Estagiário sob supervisão de Antonio Carlo Quinto
**Com informações do projeto De Braços Abertos



