domingo, maio 17, 2026
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Websérie une ciência, artes e ativismo em debate sobre a crise climática – Jornal da USP


Série no YouTube promovida pelo Sesc São Paulo investiga a crise climática e traz entrevistas com cientistas, entre eles os pesquisadores da USP Paulo Artaxo e Carlos Nobre

Websérie reúne depoimentos de nomes da ciência e da arte para discutir o impacto das mudanças no planeta – Foto: Reprodução / YouTube Sesc

logomarca redonda verde da iniciativa USP Sustentável.
Com o nome Sinais da Terra, uma nova websérie do Sesc São Paulo investiga a crise climática e traz entrevistas com pensadores, artistas e cientistas para discutir o impacto das mudanças no planeta e a urgência de rever nossos modos de vida. A produção conta com a participação de Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) e Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançado (IEA), ambos da USP, que são dois dos principais cientistas brasileiros no debate sobre mudanças climáticas. Os vídeos são publicado semanalmente às quintas-feiras, desde 11 de setembro, com 13 episódios até dezembro, e estão disponíveis no canal do Sesc neste link.

A série nasceu do alerta de que a Terra tem dado sinais de esgotamento: secas prolongadas, enchentes devastadoras, rios que ardem de calor e florestas que se reduzem a pó. O título da série retoma uma fala do líder indígena Ailton Krenak, escritor de livros como Ideias para adiar o fim do mundo e A vida não é útil. Ele defende que, se a humanidade quiser ser salva, terá que rever sua relação com o planeta. “Nós vamos ter que aprender com a Terra a viver de novo. E tudo indica que uma parte de nós não vai ficar viva nas próximas décadas diante dos eventos climáticos. Então nós vamos ter que nos educar para entender o sinal da Terra”, afirma.

A série, com episódios de duração aproximada de cinco a seis minutos cada, surge em sintonia com a COP30 — a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada de 10 a 21 de novembro deste ano em Belém (PA). O encontro reunirá representantes de quase 200 países para debater metas globais de redução de emissões, justiça climática e estratégias para enfrentar os efeitos do aquecimento global.

Interpretação dos sinais do planeta

O episódio de abertura neste link traz a voz de Ailton Krenak, cuja trajetória como pensador e ativista se confunde com a defesa de direitos indígenas e ambientais. Suas reflexões atravessam questões urgentes: “Os rios estão com as águas fervendo e os brotos estão morrendo cozidos. (…) Nós vamos ter que nos reeducar para viver um tempo de mitigação de danos. Os danos incluem o corpo da Terra e nós mesmos, que somos capilaridade desse organismo”. Entre a memória e a denúncia, Krenak convida a reconhecer que não há separação entre o destino da floresta e o nosso.

Na sequência, a cientista Luciana Gatti, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e referência nos estudos sobre mudanças climáticas, amplia o alerta. Ao analisar décadas de pesquisa sobre a Amazônia, suas palavras quebram qualquer ilusão de trégua. “Nós estamos vendo tudo chegar muito mais rápido do que se previa e estamos caminhando para uma condição de vida cada vez mais difícil da humanidade neste planeta.” Para ela, a derrubada de árvores, mais de 24 por segundo em 2020, é um ato que altera o clima em escala imediata: “Cada árvore é um climatizador natural. Perdê-las é transformar o país numa fornalha”. O episódio está disponível clicando aqui.

A série também reúne depoimentos de nomes como o padre Júlio Lancellotti, a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, a filósofa Katiúscia Ribeiro, o cineasta Jorge Bodanzky, o ceramista indígena Nei Xakriabá, a cantora Na Ozzetti, o climatologista Carlos Nobre, a ativista Amanda Costa, a artista e bióloga Uýra Sodoma, a escritora Carla Akotirene, o sociólogo guineense Miguel de Barros e o físico Paulo Artaxo. Cada episódio se constrói como fragmento de uma narrativa maior, em que ciência, arte e experiência de vida se cruzam para interpretar os sinais do planeta.

Os episódios da série Sinais da Terra estão disponíveis no Canal do Sesc no YouTube neste link.

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Texto: Assessoria de Imprensa do Sesc SP



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