Para o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Marcus Vinicius David, os desafios que as universidades estão enfrentando no mundo todo – e os Estados Unidos, no momento, seriam exemplo disso – recomendam debater os modelos dessas instituições no Brasil.
Nina Ranieri, professora da USP, colocou uma preocupação: “Até que ponto a crença na autonomia se espalha pela sociedade?”. Para ela, “universidade sem autonomia não é universidade”. E deixou a pergunta: “O sistema de autonomia paulista funciona, mas como será depois da nova reforma tributária?”.
Já para Christiano Coelho, reitor da Universidade Federal de Jataí, uma das seis supernovas unidades de ensino superior no País, desmembrada da Federal de Goiás, a pergunta é mais básica: “De qual autonomia estamos falando?”. Uma questão importante para uma instituição em processo de implantação.
“Aquele espírito inovador da Universidade de Brasília, contido pelo regime militar de 1964, não se realiza”, criticou o ex-ministro da Educação, Paulo Speller, que, atualmente, está na Universidade Afro-Americana da África Central, localizada na Guiné Equatorial. E sentenciou: “Me sinto de volta ao passado, pois o debate continua o mesmo de 20 a 25 anos atrás”.
Para Alfredo Macedo Gomes, reitor da Universidade Federal de Pernambuco, as universidades federais “são politicamente dependentes, e tal dependência é gerida pelo grupo político que ocupa o poder, a partir da utilização e instrumentalização dos dois modelos, o que permite o exercício do poder e controle político sobre as universidades federais; não gozam de todos os pré-requisitos da autonomia universitária sendo politicamente dependentes”. Para ele, “a dependência política é a mantenedora das demais formas de dependências: a administrativa, financeira, patrimonial e curricular”.
Cicília Raquel Maia Leite , reitora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e presidente da Associação Brasileira das Universidades Estaduais e Municipais, identificou uma dificuldade na construção da autonomia universitária no País onde ela não existe: “Falta uma agenda estratégica, talvez um plano de 15 anos, uma pactuação, há assimetrias no País”.
“A universidade está abraçando o povo?”, perguntou, por sua vez, o ex-senador e ex-reitor da Universidade de Brasília, Cristovam Buarque, em meio aos inúmeros questionamentos que alinhou durante as discussões do seminário, em que ressaltou que “vivemos em uma democracia em que o que existe na sociedade não dá para todos”. Diante das dificuldades e distopias existentes, a autonomia seria fundamental para a universidade pensar “solto, livre, o novo”. Para ele, a universidade “tem a grande chance de fazer a autocrítica de tudo”, gerar um novo Iluminismo.


