domingo, maio 17, 2026
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Biodiversidade faz de ilhas brasileiras as mais importantes do mundo – Jornal da USP


Estudo Internacional analisou mais de 7 mil espécies de peixes recifais em 87 ilhas e arquipélagos ao redor do mundo

Imagem da ilha de Fernando de Noronha, em que se podem ver formações rochosas várias banhadas por águas marítimas azuis-esverdeadas
Foram realizadas compilações, reunindo dados de ilhas e de ambientes marinhos de localidades do mundo inteiro – Leandro Macedo Gonçalves via Visual Hunt
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Pesquisa analisou ilhas como Fernando de Noronha, Trindade e o Arquipélago de São Pedro e São Paulo e revelou que o potencial de biodiversidade desses ecossistemas têm sido subestimado. No Brasil existem espécies que só ocorrem em ilhas oceânicas, mas que acabam sendo compartilhadas entre algumas dessas ilhas. Nesse sentido, o estudo avaliou que embora alguns animais estivessem presentes apenas em duas ilhas, elas não eram contabilizadas como endêmicas.

“Quando a gente fez esse estudo em que classificamos uma grande quantidade de espécies, viu que cerca de 40% de todas as espécies são exclusivas de ilhas oceânicas. Na verdade, elas são compartilhadas, principalmente, às vezes, entre duas ilhas. A gente passou a quantificar outros locais que eram locais ícones de endemismo, como Havaí e a Ilha de Páscoa, e vimos que nesses locais muitas das espécies que os pesquisadores consideravam como endêmicas eram compartilhadas também com outras ilhas. Quando a gente olhava na literatura, os altos endemismos do Pacífico contavam espécies que eram compartilhadas, e já os nossos pesquisadores aqui eram mais conservadores e não contavam”, explica o professor Hudson Pinheiro da Pós-Graduação em Zoologia da USP e pesquisador do Centro de Biologia Marinha (CEBIMar).

Hudson Tercio Pinheiro – Foto: Arquivo Pessoal

Endemismo marinho e evolução

Endêmicas são as espécies encontradas exclusivamente em uma determinada região. Na costa do Brasil, por exemplo, 25% das espécies de peixes são exclusivas do País. Pinheiro completa: “Nas nossas ilhas oceânicas, cerca de 10% da nossa fauna dos peixes brasileiros são exclusivamente encontradas nas nossas ilhas oceânicas e não na região costeira. É uma biodiversidade muito alta, uma proporção de espécies muito alta que são exclusivas”.

No caso das ilhas oceânicas, o isolamento por um longo período de tempo pode gerar uma adaptação e diferenciação nas espécies. O professor explica que nos arquipélagos em questão o endemismo é importante na compreensão da história evolutiva e dos processos de origem das espécies no ambiente marinho.

Um mergulho na biodiversidade

Junto do trabalho de grupos de pesquisa foram realizadas compilações, reunindo dados de ilhas e de ambientes marinhos de localidades do mundo inteiro. O professor ainda conta da realização de expedições marinhas às ilhas oceânicas brasileiras, financiadas pela Fapesp, CNPq e de outros grupos como a Fundação Boticário.

“A gente, no Centro de Biologia Marinha, que é um instituto especializado da Universidade de São Paulo, está inaugurando um Centro de Mergulho Técnico e Científico, que é o único no Brasil e permite a gente estar fazendo atividades de mergulho técnico e treinamento também de pesquisadores. O equipamento que a gente tem está permitindo a gente fazer mergulhos muito longos, mais de seis horas de duração, até 150 metros de profundidade”, conta Pinheiro. O professor explica que os mergulhos vêm permitindo o encontro de novas espécies e um melhor conhecimento da biodiversidade brasileira.

Preservação e ação ambiental

Pinheiro salienta que os processos de ocupação e colonização de ilhas foram responsáveis pela extinção de algumas espécies marinhas, e que, com o avanço das mudanças climáticas, espécies oceânicas isoladas são mais vulneráveis pela impossibilidade de migrar para outras áreas. Para exemplificar, cita o peixe-donzela, que vivia em algumas ilhas de Galápagos.

O professor também explica que, com o reconhecimento da singularidade das espécies presentes, é possível tornar esses locais laboratórios vivos e áreas prioritárias de preservação. “Os modelos indicam que muitas espécies tendem a migrar para o Sul conforme o aquecimento global, o aquecimento dos mares. Mas nas ilhas oceânicas, não, as espécies não têm para onde migrar, então muitas delas correm o risco de ser extintas.”


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