Israel teria praticado pelo menos quatro condutas que caracterizam o crime de genocídio e pelo qual também são responsáveis três autoridades israelenses
Esta semana, a Comissão Independente de Inquérito da ONU divulgou o relatório sobre as ações de Israel em Gaza, chegando a conclusões aqui comentadas pelo professor Alberto do Amaral. “As conclusões dão conta de que Israel teria praticado pelo menos quatro condutas que caracterizam o crime de genocídio: o assassinato de membros de um determinado grupo, no caso do Hamas, a imposição de sérios sofrimentos físicos ou mentais, a imposição de atitudes deliberadas para o extermínio de um determinado povo para a destruição de um povo e impedir o nascimento de crianças nesse povo. E o relatório da ONU considera que pelo menos três autoridades israelenses, além das forças militares, seriam responsáveis pelo crime de genocídio: o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu, pelas declarações que vem dando em favor da destruição dos palestinos na Faixa de Gaza, o ex-ministro da defesa Yoav Gallant, segundo o qual Israel estaria lutando contra animais e não contra seres humanos, e o presidente do país, Isaac Herzog, que afirmou que os responsáveis pelas ações dos Hamas seriam todos os palestinos e não apenas um grupo radical, no caso, o Hamas.”
Na sequência de seu comentário, Amaral trata do crime de genocídio, que foi tipificado em 1948, um dia antes do lançamento da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O crime de genocídio, diz ele, se caracteriza pela intenção de exterminar um grupo nacional, religioso, racial ou étnico. “Nesse sentido, o crime de genocídio pressupõe uma intenção, a intenção que os nazistas tiveram na Segunda Guerra Mundial de eliminar o povo judeu, simplesmente pelo fato de ser judeu, e que causou a morte de mais de 6 milhões de pessoas e, na verdade, o que se considera é que o genocídio estaria agora sendo praticado, segundo a Comissão Independente da ONU, por Israel na Faixa de Gaza. É evidente que estas conclusões ampliarão o isolamento do Estado de Israel, principalmente porque a conclusão, ou as conclusões divulgadas pelo relatório da ONU, ocorreram na semana passada, no dia 16, na terça-feira da última semana, às vésperas de uma nova Assembleia Geral das Nações Unidas, quando importantes países ocidentais, como a França, o Canadá, Austrália e o Reino Unido, planejam o reconhecimento do Estado palestino.”
Um Olhar sobre o Mundo
A coluna Um Olhar sobre o Mundo, com o professor Alberto Amaral, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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