Ao longo de sua carreira, Kossoy conta ter se aprofundado na fotografia sob dois eixos: o da fotografia como meio de informação, de comunicação, de imprensa, de ficção e de desinformação – isto é, da fotografia como documento – e o da fotografia como expressão artística. Ele destaca que, em seus livros, sempre buscou mostrar as relações entre essas duas trilhas do seu trabalho. “Primeiro, o documento se liga à história. Se eu for estudar a teoria da história, o começo de todos os estudos é entender a força e o alcance do documento nas suas verdades e nas suas ficções”, analisa. Para o professor, porém, a “verdade” dentro da fotografia não é algo concreto e definitivo, o que a aproxima, assim, cada vez mais, de uma forma de expressão pessoal e artística. “Será que a questão estética não existe, também, no documento? Existe. Em que medida as informações escritas informam e desinformam o leitor e o levam a trazer significados errados ou manipulados? Portanto, o testemunho e a criação andam juntos.”
Para Kossoy, cada clique é fruto de uma criação, que, por sua vez, envolve uma construção, que pode ser mais ou menos criativa. “Mas, de qualquer maneira, não existe o registro fotográfico neutro, como se fosse um objeto inanimado. Ele é permeado de ficções, de interpretações, de preconceitos. Sempre existe uma intenção, um modo de ver o mundo por trás. E é aí que se dá o binômio registro-processo de criação”, explica. Ainda assim, o professor reforça o fato de que, enquanto o registro fotográfico documental tem preocupação com o factual, o registro artístico não tem esse comprometimento. No fotojornalismo, por exemplo, trata-se de um processo de várias criações. “Em uma guerra, em manifestações, em conflitos, o fotógrafo seleciona um determinado trecho da realidade e fotografa. E redatores veem e fazem um texto sobre aquilo. Só que aquilo não corresponde ao todo. E a opinião pública é moldada de acordo com essa forma de ver o mundo, que é sempre uma manipulação”, exemplifica. Isso vale até mesmo para o retrato, que, para o professor, é o que há de “mais apaixonante” na fotografia. “O retrato é sempre um mistério. É sempre um teatro. A pessoa está querendo parecer aquilo que não é. E existe uma complexidade entre fotógrafo e fotografado.”
Fora das salas de aula, o professor conta ter feito um pouco de tudo, desde fotos para jornais, revistas e publicidade até trabalhos mais autorais, aprendendo enquanto trabalhava. Atualmente, ele vê um caminho facilitado para quem está começando, ainda que perigoso: “Hoje, há inúmeros cursos e discussões sobre fotografia, e todo mundo se considera fotógrafo por causa do celular. Todos querem fazer exposições e ter seus livros. Só que, para chegar nisso, tem que malhar muito. E aí você percebe quem tem cabeça para aquilo e quem nunca vai ter”, comenta. Ele diz preferir os livros às exposições, porque o livro permanece.



