Edição de setembro do boletim elaborado por universitários e coordenado por professores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP inicia um novo período, dando continuidade à publicação de textos científicos, de leitura leve e rápida
Por Claudia Costa

.
“Foram cinco anos de muito trabalho e dedicação, com diferentes gerações de estudantes aprendendo, se formando e contribuindo com entusiasmo para divulgarmos textos de cunho científico em uma leitura rápida e, quase sempre, leve. Desde o início, nossa meta foi e continua sendo atrair e motivar nossos leitores para esses temas, ao mesmo tempo em que formamos nossos estudantes”, diz Ramachrisna Teixeira, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e coordenador editorial do boletim Dia e Noite com as Estrelas, que completa cinco anos neste mês. A última edição da publicação está disponível para download gratuito neste link.
A abertura do boletim traz um artigo sobre Albert Einstein, um dos maiores físicos teóricos da história, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1921 por seu trabalho explicando o efeito fotoelétrico. Ele também desenvolveu importante trabalho para interpretar a composição de movimentos quando lidando com altíssimas velocidades, alterando profundamente nossas ideias a respeito de tempo e de espaço. Também, trouxe à tona a natureza dual da luz, partícula/onda, a correspondência massa/energia e uma nova visão a respeito daquilo que chamamos de gravidade. É o próprio coordenador quem assina o artigo Albert Einstein: alteração radical da física e da nossa visão de mundo, que aborda quatro artigos revolucionários que Einstein publicou em 1905, aos 26 anos, revolução essa que, segundo o professor, foi completada com outro texto publicado dez anos mais tarde sobre a Teoria da Relatividade Geral.

O texto aborda a complexidade de compreender conceitos como espaço, tempo, matéria e energia, destacando que as teorias de Einstein provocaram uma revolução científica que abalou o senso comum e foram inicialmente recebidas com desconfiança pela academia. Essas ideias formaram a base de avanços que vão da compreensão do Universo à produção de armas devastadoras.
No artigo Espaço-tempo: palco ou ator?, Rafael Prince Santiago Tasca (IF) apresenta a Teoria da Relatividade Geral, segundo a qual espaço e tempo se unem em um único tecido que se curva sob a influência da matéria e da energia, curvatura essa que percebemos como gravidade. Ele ainda levanta a questão filosófica e científica sobre a natureza do espaço-tempo: se é algo real por si só, ou apenas uma rede de relações entre corpos.
A relatividade dos movimentos, escrito por Suellen Camilo (IF), aborda um conceito fundamental da física. Segundo a autora, esse conceito mostra que o movimento é sempre relativo e depende do ponto de vista do observador, “a menos que estejamos falando da luz (radiação eletromagnética), ou seja, do referencial adotado”. Ela completa: “Isso significa que não existe um estado de repouso absoluto no universo”. Segundo Suellen, essa ideia já era discutida na Antiguidade, mas foi Galileu Galilei, no século 17, quem a formulou de forma clara.
Mais contribuições
O boletim apresenta mais três contribuições científicas ligadas a Albert Einstein. Em Relatividade e a precisão do GPS, Verônica Aparecida (IF) explica como a Teoria da Relatividade Restrita se relaciona ao funcionamento do sistema, composto por satélites em alta velocidade que utilizam relógios atômicos para determinar posições na Terra com precisão. Ela destaca que a precisão do GPS comprova como teorias científicas aparentemente abstratas impactam diretamente o cotidiano. Já em A sinfonia invisível da matéria, Sora Satie Faria Nishimi (IAG) aborda a transformação da observação de Robert Brown sobre o movimento de partículas em um marco da ciência, reinterpretado por Einstein como resultado das colisões invisíveis entre átomos e moléculas.
Na terceira publicação, Quando a luz convida a eletricidade para dançar, Artur Junior (IAG) narra a ideia de Einstein, ainda jovem, de que a luz seria formada por fótons, conceito que fundamentou a teoria do Efeito Fotoelétrico e lhe rendeu o Prêmio Nobel de Física em 1921. Essa descoberta não apenas alterou a compreensão da física, inaugurando a física quântica, como também possibilitou aplicações práticas diversas, desde painéis solares até câmeras de celular e detectores de fumaça.
Divulgação da astronomia
Lançado em setembro de 2020, o boletim Dia e Noite com as Estrelas tem o objetivo de levar a todos os interessados temas de grande relevância na astronomia, em linguagem acessível, como eventos, informações do céu noturno no período correspondente, seção de perguntas e respostas, entre outros tópicos. Com periodicidade mensal, é produzido por estudantes de graduação e pós-graduação da USP, coordenados pelo professor Ramachrisna Teixeira, com a colaboração de Roberto Boczko, ambos professores do IAG.
O boletim é mensal e gratuito. Confira a última edição do boletim neste link. Acesse as edições anteriores clicando aqui. Caso queira recebê-lo diretamente, inscreva-se na lista de transmissão. Mais informações pelo e-mail: contatodncestrelas@gmail.com.



