domingo, maio 17, 2026
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Sinais de recuperação da camada de ozônio apontam que a cooperação internacional é o caminho – Jornal da USP


Para o professor Pedro Luiz Côrtes, experiência do Protocolo de Montreal mostra que acordos internacionais podem ser decisivos no combate à crise climática

Imagens paralelas em forma de ilustração mostram duas figuras paralelas do globo terrestre e a evolução da camada de ozônio em cada uma delas
A camada de ozônio funciona como filtro natural contra raios ultravioleta do tipo B e C – Foto: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/Wikimedia/CC BY 2.0
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Quase 40 anos após a assinatura do Protocolo de Montreal, sinais de recuperação da camada de ozônio apontam para o sucesso da cooperação internacional. O professor Pedro Luiz Côrtes, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, lembra que a camada funciona como filtro natural contra raios ultravioleta do tipo B e C, que podem provocar câncer de pele, catarata e queda na imunidade. “Essas substâncias, como os CFCs, foram amplamente usadas em refrigeração e sprays. O protocolo conseguiu reduzir 99% do consumo desses compostos”, explica.

Pedro Luiz Côrtes – Foto: Lattes

Desafios atuais

Para Côrtes, o êxito do acordo indica que estratégias semelhantes podem inspirar negociações climáticas. “O sucesso desse protocolo mostra que esse tipo de acordo pode ser viável para outras substâncias, basta ter boa vontade e uma estruturação adequada”, afirma. Ele destaca que a transferência de tecnologia entre países foi decisiva para viabilizar alternativas ao uso dos CFCs.

A poucos meses da COP30, Côrtes observa que o debate internacional aponta para a criação de um pacto global de redução de emissões, acompanhado por um conselho de fiscalização da ONU. “É necessário. Estamos caminhando para uma situação cada vez mais sem perspectiva de reversão”, avalia. Ele alerta que a queda no preço do petróleo pode retardar a transição energética, reforçando a urgência de compromissos vinculantes.

Negacionismo em contraste

Enquanto o Brasil sinaliza com propostas de governança global, vozes contrárias ainda tentam frear o avanço. O professor cita o discurso do presidente Donald Trump na ONU, que minimizou a crise climática e criticou energias renováveis. “Nós temos exemplos no Brasil que mostram exatamente o contrário. Sempre que recorremos a combustíveis fósseis, o preço da energia sobe. Já as eólicas são planejadas para resistir às intempéries e estão entre as fontes mais baratas”, rebate.


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