domingo, maio 17, 2026
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Cartilha para crianças explica sobre desertificação e importância da conservação do bioma Caatinga – Jornal da USP


Material voltado à educação básica foi elaborado a partir dos resultados obtidos durante pesquisa na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP; download é gratuito

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Ilustração de um cactus com uma flor na cabeça, olhos, boca e braços e ao lado a capa de um livro
Personagem do livro explica sobre importância do bioma Caatinga – Foto: Divulgação/Esalq

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logomarca redonda verde da iniciativa USP SustentávelA cartilha
O segredo da terra seca: desertificação e cuidado com a Caatinga, de Bruno Fonseca da Silva, pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), é voltada à educação básica e retrata o processo de degradação da Caatinga, especialmente em decorrência de práticas agrícolas inadequadas, além de destacar a importância da conservação do bioma. “O material foi elaborado com foco no núcleo de desertificação de Cabrobó [PE], em especial na Ilha de Assunção [no rio São Francisco], e utiliza personagens infantis para aproximar o tema do público jovem”, conta o autor à Agência Fapesp. O material está disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP neste link

A cartilha foi elaborada a partir dos resultados obtidos durante a execução do trabalho de doutorado do pesquisador, “Solos degradados pela desertificação no Nordeste brasileiro: uma estratégia para recuperação, manejo e inserção social”, sob orientação do professor da USP Plínio Barbosa de Camargo. e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), “O apoio da Fapesp foi fundamental para viabilizar a pesquisa de doutorado e para garantir a produção do material, possibilitando a transferência de conhecimento para a comunidade da Ilha de Assunção e contribuindo para a educação básica em todo o Brasil”, destaca Silva.

Segundo o pesquisador, a cartilha foi desenvolvida principalmente para a educação infantil, em especial para as crianças da comunidade indígena Truká, na Ilha de Assunção. “Além disso, inclui uma seção voltada a professores, famílias e ao público em geral”, acrescenta. A obra faz parte da “Série Produtor Rural”, editada desde 1997 pela Divisão de Biblioteca da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba, e tem como objetivo publicar textos acessíveis aos produtores com temas diversificados e informações práticas, contribuindo para a extensão rural. 

A cartilha

Dois cactos, Sandrinha e Belinha, conversam sobre o problema, de forma lúdica, contando para as crianças porque o solo fica seco. Elas falam de quando arrancaram outros cactos para plantar outras coisas, como por exemplo o arroz, que precisa de muita água, deixando o solo fraco, seco e até salgado. “Agora, nem essas plantas e nem a gente consegue viver direito aqui”, diz Sandrinha, que ainda dá outra notícia trágica: “ouvi dizer que, nos próximos 21 anos, essas plantações vão ocupar ainda mais espaço. E se não cuidarem da terra, tudo pode piorar…”

Belinha entende que a terra está ficando doente porque, como explica Sandrinha quase não chove mais, o calor está aumentando, deixando a terra seca e o solo ruim… isso é a desertificação. E da preocupação do mau uso da terra, com uso de produtos que fazem mal para o solo. “Mas ainda dá tempo! A terra pode ser salva.”, diz Sandrinha. “É preciso que os humanos entendam o que está acontecendo e comecem a cuidar de verdade”, completa a personagem. 

A desertificação

A desertificação é um processo que acontece principalmente em regiões secas (áridas, semiáridas e subúmidas secas), como o semiárido brasileiro, e que leva à degradação do solo. Isso significa que a terra vai perdendo  sua capacidade de produzir, de manter a vegetação e até mesmo de sustentar a vida que ali existe. Esse problema pode ser causado por uma combinação das mudanças no clima e ações humanas, como o desmatamento, o uso excessivo do solo e a irrigação mal planejada. Segundo o autor, hoje se sabe que, embora tenha impacto global, a desertificação está fortemente ligada à forma como cuidamos da terra no dia a dia, especialmente nas áreas rurais. 

O Brasil tem áreas muito impactadas pelo avanço do processo de desertificação no semiárido nordestino, onde se localiza a Caatinga, um bioma único no mundo. Existem quatro áreas principais onde esse problema já é muito  grave,  chamadas de núcleos de desertificação – entre elas está o núcleo Cabrobó (PE), que abrange  os  municípios  Belém  do  São  Francisco,  Cabrobó,  Carnaubeira da Penha, Itacuruba e Floresta. Apesar da gravidade da situação, a desertificação pode ser combatida, destaca o autor, enumerando ações que podem ser planejadas, como o uso correto da terra, práticas agrícolas sustentáveis e o cuidado com a vegetação nativa. Para o pesquisador, o diálogo com a comunidade, a valorização do conhecimento local e a educação ambiental são partes fundamentais desse processo. Professores, mães e pais têm um papel importante nisso: “cuidar da terra também é cuidar das futuras gerações”, garante.

Para fazer o download gratuito da cartilha O segredo da terra seca: desertificação e cuidado com a Caatinga clique aqui.



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