domingo, maio 17, 2026
HomeSaúde física e emocionalCientistas do MIT aprimoram a técnica de edição genética, conhecida como CRISPR-Cas9...

Cientistas do MIT aprimoram a técnica de edição genética, conhecida como CRISPR-Cas9 – Jornal da USP


Em artigo publicado na revista “Nature”, os cientistas mostram que a nova tecnologia pode diminuir a taxa de erro do CRISPR-Cas9, que direciona a enzima para um local diferente do alvo desejado

Por

Logo da Rádio USP

A tecnologia de edição genética, conhecida como CRISPR-Cas9, foi uma revolução na pesquisa científica e suas aplicações não param de crescer. A técnica funciona como uma “tesoura genética” que permite cortar e modificar o DNA com precisão para alterar o genoma de organismos. A técnica utiliza uma molécula de RNA – que funciona como um guia para a enzima Cas9 -, com a sequência específica do DNA que se deseja editar, dirigindo a Cas9 para o local correto no genoma. 

Entretanto, de acordo com Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP, esse sistema, embora muito promissor, está longe de ser perfeito. “O que pode acontecer é que o Cas9 e o RNA guia acabem em outro sítio não desejado”, explica. Este “erro” cria cortes de DNA em locais genômicos não intencionados, podendo causar mutações genéticas indesejadas, interrupção de funções celulares normais e ativação de oncogenes, resultando em condições adversas ou doenças.

Em 2019, pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram uma técnica mais precisa, batizada de prime editing. E agora, uma nova pesquisa publicada na revista Nature traz novos aprimoramentos. “Com uma nova estratégia, em linhagens humanas e em camundongos, o time do MIT conseguiu diminuir a taxa de erro da prime editing, de um erro em cada sete, para uma em cada 122 edições e, posteriormente, de um para cada 543, por um método de alta precisão”, comemora Mayana. “Agora, eles estão pesquisando meios de entregar esses genes editados para tecidos específicos, o que pode ser fundamental, a depender da doença que se quer tratar.”  

Mayana acredita que, se as pesquisas avançarem, a proibição de se editar embriões com mutações pode ser revista. “Hoje eles são diagnosticados após fertilização in vitro, e os embriões com mutações são descartados. Não seria muito melhor se pudéssemos corrigir a mutação ao invés de descartá-los?”, finaliza.


Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

.



Fonte