Thais Vendramini alerta para a baixa cobertura vacinal entre jovens, destaca estratégias de bloqueio e reforça a necessidade de combater a desinformação para conter o sarampo

O aumento de casos de sarampo neste ano tem como principal grupo de infectados pessoas de 1 a 29 anos. Para Thais Vendramini, pesquisadora do Centro de Imunizações do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP, três fatores explicam esse cenário. “O primeiro está ligado à baixa cobertura vacinal das duas doses recomendadas. O segundo é a falta de imunidade natural, já que o sarampo deixou de circular intensamente após as campanhas de vacinação em massa. E, por fim, é uma faixa etária que circula muito em escolas, universidades, festas e shows, o que facilita a disseminação de um vírus extremamente contagioso”, afirma.
Estratégias de controle
Segundo a pesquisadora, o combate ao sarampo depende de duas frentes principais: vacinação e identificação precoce dos casos. “Entre 1 e 29 anos é preciso ter duas doses da tríplice viral. Entre 30 e 59, uma dose é suficiente. Já para crianças de 6 a 11 meses recomenda-se a ‘dose zero’, que serve como proteção extra”, explica.
Thais destaca também a importância de levar equipes de vacinação a locais de grande aglomeração, como universidades, empresas, aeroportos e regiões de fronteira. Além disso, reforça que profissionais de saúde devem estar capacitados para identificar rapidamente a doença. “Isso permite isolar o paciente, notificar e fazer o bloqueio vacinal em até 72 horas nas pessoas expostas.”
Responsabilidade coletiva
Embora seja uma doença prevenível por vacina, o sarampo ainda pode levar a complicações graves e morte. Para diminuir esse risco, Thais aponta um desafio central: combater a desinformação.
“É preciso levar informação clara e de qualidade, mostrar que a tríplice viral é segura e altamente eficaz. Campanhas com influenciadores, professores e profissionais de saúde ajudam a engajar a população. Vacinação é uma escolha individual que traz benefício coletivo. Enquanto não atingirmos cobertura acima de 95% continuaremos vulneráveis a surtos.”
A pesquisadora lembra que cada cidadão pode atuar ativamente na prevenção. “Antes mesmo de uma campanha chegar, vale conferir sua carteirinha, perguntar para familiares e vizinhos, levar o tema para a escola ou o trabalho. A vacinação é uma intervenção individual, mas só funciona plenamente quando atinge o coletivo.”
Segundo Thais, manter a cobertura acima de 95% é a única forma de impedir que o vírus encontre brechas para se espalhar. “Não adianta apenas uma pessoa ou outra se vacinar. O esforço precisa ser coletivo para que a proteção seja real.”
*Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira
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