César Franck iniciou seus estudos musicais na Bélgica. Começou a estudar música muito cedo instigado pelo pai, que desejava ver o filho elevado à fama como virtuose. César Franck evoluiu rapidamente, graças à sua excepcional memória musical e à grande sensibilidade de seu ouvido. Assim, não é de se admirar que aos doze anos ele já tivesse se apresentado como solista diante do rei Leopoldo I da Bélgica.
Pouco tempo depois, transferiu-se para a França, ingressando no renomado Conservatório de Paris. Formou-se como pianista e organista e foi justamente como virtuose do órgão que estabeleceu sua carreira, principalmente na Igreja de Santa Clotilde, onde atuou desde 1858 até sua morte, em 1890. Sua enorme habilidade de improvisação logo lhe trouxe renome e ele passou a atuar também como professor (inclusive no mesmo Conservatório de Paris, onde havia estudado).
Na docência, revelou-se igualmente talentoso, adotando uma pedagogia inovadora que deixava de lado os velhos tratados e métodos. Como resultado, constituiu em torno de si um círculo de alunos promissores e dedicados, que viriam a ser importantes compositores da nova geração. Dentre eles, podemos citar Chausson, D’Indy e Duparc.
Sua obra musical é vasta e abarca praticamente todos os principais gêneros musicais. Escreveu peças fundamentais para piano solo, como prelúdio, coral e fuga, e para órgão. Na música de câmara, adotou a curiosa atitude de compor apenas uma obra de cada gênero: uma sonata para violino e piano, um quarteto de cordas, um quinteto com piano – como se essas peças representassem “modelos” para esses gêneros.
As primeiras composições são peças para piano, canções e música de câmara. Com seu amadurecimento, César Franck foi investindo também nas composições sinfônicas, coral-sinfônicas e dramáticas (óperas). No âmbito da música instrumental, a Sonata para violino e piano tem um lugar de destaque devido à sua escrita fluente e de sonoridade moderna. Foi tão marcante na época, que ganhou inclusive uma citação de Marcel Proust em seu livro Em busca do tempo perdido.
O Quarteto de Cordas em Ré maior também testemunha a maturidade do compositor. É uma peça densa e bastante exigente para os instrumentistas – basta ressaltar que, nessa obra que dura aproximadamente cinquenta minutos, a viola tem pouquíssimos momento de pausa.
Compôs também uma única sinfonia, que se tornou uma referência da escrita sinfônica romântica da segunda metade do século dezenove.
O idioma musical de César Franck é caracterizado pelo uso estrutural dos cromatismos, pela prática constante de modulações, pelas metamorfoses temáticas propostas por Liszt e pela preferência por formas cíclicas. As Variações Sinfônicas para Piano e Orquestra exibem algumas dessas características.
No campo da música vocal, sem dúvida a peça mais conhecida de César Franck é o Panis Angelicus, peça para tenor solista, violoncelo e órgão que faz parte da Missa Op.12, composta por César Franck em 1860. Outras partes dessa missa também merecem atenção especial, como o Kyrie, que começa com uma belíssima melodia cantada pelos tenores do coro. A escrita vocal é fluente e a harmonia traz ricas nuances características do estilo romântico.
As Sete Palavras de Cristo – composição de 1859 – nunca foi executada durante a vida de César Franck e só foi descoberta em 1955, quando a partitura manuscrita foi vendida para a Biblioteca de Liège por um particular. A obra é dividida em sete partes, contendo os textos das sete frases pronunciadas por Jesus na cruz, mescladas com versos extraídos do poema sacro medieval Stabat Mater.
O Coralusp – Grupo Jupará interpreta o Kyrie da Missa Op.12 e trechos de As Sete Palavras de Cristo no dia 28 de setembro, às 11h, no Teatro do Sesi (Av. Paulista, 1313)
A entrada é franca.
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