domingo, maio 17, 2026
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Até que ponto mudanças no estilo de vida ajudam no controle da diabetes tipo 2? – Jornal da USP


De acordo com Bruno Bedo, mesmo programas que conseguem estimular um pouco mais a atividade física de pacientes portadores da doença já mostram um resultado positivo do ponto de vista da saúde pública

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Hoje (26) o professor Bruno Bedo fala sobre o exercício físico e sua influência no tratamento da diabetes tipo 2, uma moléstia que atinge  mais de 500 milhões de pessoas ao redor do mundo. A partir de um estudo que reuniu mais de 5 mil pessoas com diabetes tipo 2, foram avaliados diferentes programas de estilo de vida, “que iam desde encontros presenciais com profissionais da saúde até aplicativos digitais e grupos de apoio on-line. A principal pergunta do estudo foi: Será que essas iniciativas realmente auxiliam os pacientes a se movimentarem mais e controlarem melhor a sua glicemia? Os resultados mostraram que sim. Esses programas conseguem estimular um pouco mais a atividade física desses pacientes, em média nove minutos adicionais de movimento por dia e cerca de 120 passos a mais. Esse aumento, embora pareça pequeno, já é considerado relevante do ponto de vista da saúde pública”.

Bruno Bedo destaca duas questões que considera importantes em relação a esses achados: “A primeira é que intervenções no estilo de vida são boas para colocar as pessoas em movimento. Pequenos aumentos já têm um impacto positivo, reduzindo, por exemplo, o risco de mortalidade cardiovascular. A segunda é que, quando falamos do controle direto da glicemia, apenas aumentar o exercício físico de forma leve ou moderada talvez não seja o suficiente. Os estudos mostram que o programa de exercício estruturado, como treinos aeróbicos ou de força, com intensidade planejada, conseguem reduzir a hemoglobina glicada. O desafio é essa adesão, que costuma ser baixa, infelizmente. Portanto, a ciência mostra que programas de estilo de vida são uma boa porta de entrada para promover mais movimento no dia a dia de pessoas com diabetes tipo 2”.

Ele faz, porém, uma última observação: “Para efeito clínico mais robusto, especialmente no caso aqui do controle da glicemia, ainda é necessário investir em estratégias que combinem exercícios planejados, apoio psicológico e possivelmente outras mudanças no estilo de vida, como no caso da dieta. O grande desafio para o futuro é desenhar programas que unam com eficácia o embasamento científico com adesão prática no cotidiano das pessoas”.


Ciência e Esporte
A coluna Ciência e Esporte, com o professor Bruno Bedo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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