Alexandre Panosso Netto comenta que o termo original do ambiente financeiro, ESG, se expandiu para outras áreas e pode guiar a atividade turística a um caminho mais sustentável
Por *Breno Marino


O conceito ESG, que vem do inglês Environmental, Social and Governance, nasceu no ambiente financeiro e se tornou referência para investimentos responsáveis ao redor do mundo. Contudo, ao longo dos anos, o termo se expandiu e ganhou notoriedade em outras áreas da sociedade. Dentre as áreas de expansão, o turismo é uma de destaque. A transição se deve por que a atividade turística depende diretamente de recursos naturais, das comunidades locais e da confiança dos clientes. Esses três aspectos, assim, são justamente os critérios que o ESG busca equilibrar.
O conceito na prática
Alexandre Panosso Netto, professor de Turismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, comenta que é preciso entender, em partes, a aplicação do conceito no turismo. “Na área ambiental entram medidas voltadas para reduzir o impacto ecológico das operações. Por exemplo, a proposta de ESG framework for tourism businesses reconhece que o setor turístico tem impacto ambiental direto e estabelece métricas padronizadas para reportar consumo de energia, emissões e certificações verdes.”

No âmbito social, o debate concentra-se na relação das empresas com funcionários, fornecedores e comunidades. Condições de trabalho justas, diversidade, segurança, inclusão e projetos que envolvem moradores locais são alguns dos temas debatidos. Por fim, a governança, termo menos consolidado no turismo, de acordo com o professor, aborda a transparência, ética, mecanismos de controle, conformidade legal e participação dos stakeholders.
Sustentabilidade
Em resumo, ESG é uma estrutura estratégica que organiza ações ambientais com a redução de impacto ecológico, social, cuidando do relacionamento com pessoas e comunidades e de governança, tratando tudo com transparência e ética. “No turismo, essas ações podem ir desde energia renovável e compensação de carbono até parcerias comunitárias, diversidade na equipe e divulgação de relatórios auditáveis”, afirma Panosso Netto. O docente ainda complementa que, por mais benéfica que essas estratégias sejam, existem desafios financeiros e operacionais para sua aplicação.
A aplicação desses conceitos pode guiar o turismo a um caminho mais sustentável. De acordo com o professor, olhar para o futuro do ESG implica compreender que a pressão por sustentabilidade vem por várias direções: de investidores, de reguladores e, principalmente, dos próprios viajantes, que estão cada vez mais atentos ao impacto das suas escolhas.
A busca por métodos mais amigáveis ao meio ambiente e à saúde humana fornecerá a empresas turísticas maior destaque nas próximas décadas. “Nesse cenário, empresas turísticas que se anteciparem com práticas transparentes não apenas reduzem riscos, mas conquistam uma posição de destaque em um mercado global competitivo”, defende Panosso Netto. Ele complementa que os turistas também participam dessa transformação ao escolherem destinos e serviços que respeitem o meio ambiente, as pessoas e a ética nos negócios.
*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo
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