São cerca de 800 fotos a registrar a vida cotidiana, a luta e as transformações vividas depois do contato com a sociedade não indígena, no Instituto Moreira Salles
A área cultural em São Paulo está aquecida. A Bienal de São Paulo está aberta e, com a sua inauguração, a cidade é tomada por exposições de vários portes e perfis, diz a professora Giselle Beiguelman, que destaca as cerca de 800 fotografias produzidas pelas famílias do povo Paiter Suruí, desde a chegada da primeira câmera, em 1980, em cartaz no Instituto Moreira Salles. Essas imagens, segundo a colunista, registram a vida cotidiana, a luta e as transformações vividas depois do contato com a sociedade não indígena. “A fotografia aparece como uma ferramenta de memória, de resistência e de afirmação cultural, porque permite que os próprios indígenas contem as suas histórias e fortaleçam a sua identidade frente às pressões externas. A exposição é também um chamado para a necessidade de redefinir os arquivos, sobretudo os arquivos de imagens. Essa operação é feita a partir de um olhar indígena que rompe com visões coloniais e hierárquicas.”
E mais: “Esses arquivos desafiam a lógica dominante da catalogação, da classificação e também da pretensão de organizar o tempo e a história. As fotos não foram restauradas, elas aparecem com as marcas da umidade, as dobras, os riscos que atravessam as suas vidas. Há vários pequenos textos entre essas 800 fotos e um deles, para mim, resume a visão radical para o qual esse contra-arquivo aponta. Esse texto diz: ‘Nosso acervo histórico tem imagens feitas há décadas atrás. Como um artista, o tempo criou marcas que foram apagando as próprias fotografias e criando novos significados’. Eu não seria capaz de explicar onde está este texto na exposição. Então vá e procure. Tem muitas chaves de leituras distribuídas no espaço expositivo”.
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