Salas recém-inauguradas na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP homenageiam pesquisadoras que marcaram a história da saúde pública

As pesquisadoras Elza Salvatori Berquó, Helena Aparecida dos Santos Lima Pereira, Maria Teresinha Dias de Andrade, Maria Lúcia Ferrari Cavalcanti, Sophia Cornbluth Szarfarc e Virgínia Leone Bicudo são mulheres que marcaram suas trajetórias por importantes contribuições ao desenvolvimento da saúde pública no Brasil.
Como forma de homenagear essas personalidades, a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP acaba de nomear salas da instituição em reconhecimento a essas personalidades. A cerimônia de nomeação aconteceu no último dia 25 de setembro, na Sala Paula Souza, na FSP.
A iniciativa reforça o compromisso da FSP-USP com a valorização da memória científica e o reconhecimento de figuras históricas que contribuíram para o avanço do conhecimento científico e para a transformação social no País.
Familiares compareceram para prestar suas homenagens, como Marina Szarfarc, filha de Sophia Cornbluth Szarfarc. Ela relata que até hoje colegas e alunos de sua mãe relembram com carinho e admiração seu pioneirismo na pesquisa. “Ela dedicou a vida inteira à USP. Antes eu não entendia, mas hoje eu reconheço a importância disso.”
As seis homenageadas representam diferentes gerações e campos do saber, com atuações que vão desde a demografia, estatística e ciências sociais à nutrição, saúde ambiental, biblioteconomia e psicanálise. Suas trajetórias foram marcadas por inovação e forte engajamento social, tendo impactado diretamente áreas como saúde materno-infantil, segurança alimentar, qualidade da água, acesso à informação científica e combate ao racismo.

Abrindo caminhos
Representantes da comunidade acadêmica destacaram a importância de resgatar e tornar visíveis histórias de mulheres que, muitas vezes, enfrentaram resistências em ambientes predominantemente masculinos, rompendo barreiras e abrindo caminhos para novas gerações de pesquisadoras.
“Orgulha-nos muito a contribuição das mulheres à Faculdade de Saúde Pública. Até há pouco tempo, tínhamos pouca visibilidade e reconhecimento do papel feminino em nossa instituição, mesmo sendo ela composta majoritariamente por pesquisadoras e trabalhadoras mulheres”, afirma a vice-diretora da faculdade, Patrícia Constante Jaime.
Segundo Patrícia, a nomeação das salas “é uma celebração, um marco da memória e também um evento para o futuro”, disse. “Um evento que busca deixar marcas nas nossas portas da contribuição das mulheres para esta unidade, para a ciência brasileira e para a saúde pública”, afirmou.
As homenageadas
Elza Salvatori Berquó
Nascida em 1925, é especialista em demografia e estatística e reconhecida por uma longa carreira acadêmica, pioneira e marcada pelo compromisso com a justiça social. Em 1951, aos 26 anos, tornou-se livre-docente em Bioestatística pela USP e doutora pela Columbia University em 1958. Foi a primeira mulher a publicar um artigo nos Arquivos da Faculdade de Higiene e Saúde Pública (1950), que antecederam a Revista de Saúde Pública (RSP).
Helena Apparecida dos Santos Lima Pereira (1937-2011)
Primeira professora do Departamento de Saúde Ambiental da FSP da USP (HSA), Helena Apparecida dos Santos Lima Pereira teve uma trajetória pioneira e marcante. Odontóloga e bióloga, integrou o então Departamento de Saneamento a partir de 1959, a convite do professor Samuel Murgel Branco, referência nacional na área. Destacou-se nos estudos de Hidrobiologia, com ênfase na identificação de algas que proliferam em águas destinadas ao abastecimento público, gerando impactos sanitários.
Maria Lúcia Ferrari Cavalcanti (1925-2003)
Maria Lúcia Ferrari Cavalcanti foi uma das pioneiras na consolidação da Nutrição como campo científico e profissional na FSP-USP. Nascida em Itapeva (SP) em 1925, iniciou sua carreira docente em 1946, como professora primária em sua cidade natal. Formou-se em Nutrição pela FSP-USP em 1948, onde passou a atuar como auxiliar de ensino nas disciplinas de Dietética, Arte Culinária e Higiene Alimentar.
Maria Teresinha Dias de Andrade (1932-2023)
Maria Teresinha Dias de Andrade teve uma trajetória marcante na FSP-USP, sendo responsável por transformar profundamente o papel da Biblioteca no contexto acadêmico e científico da saúde pública. Iniciou suas atividades na instituição em 1956, como estagiária. Tornou-se bibliotecária, assumiu a chefia da Biblioteca em 1966 e, ao longo do tempo, também se tornou docente, ministrando disciplinas de orientação bibliográfica para a graduação e a pós-graduação.
Sophia Cornbluth Szarfarc (1938-2021)
Professora da FSP-USP por mais de três décadas, Sophia Cornbluth Szarfarc foi uma das mais notáveis referências brasileiras na área de Nutrição em Saúde Pública. Graduada em Química pela USP em 1963, aprofundou sua formação com mestrado (1970), doutorado (1973), pós-doutorado (1983) e livre-docência (1984), desenvolvendo carreira acadêmica exemplar voltada à integração entre ciência, formação profissional e políticas públicas.
Virgínia Leone Bicudo (1910-2003)
A cientista e psicanalista Virgínia Leone Bicudo teve contribuições fundamentais à sociologia, à psicanálise e à reflexão crítica sobre o racismo no Brasil. Mulher negra e intelectual, logo após a conclusão da Escola Normal, cursou Educação Sanitária no Instituto de Higiene de São Paulo (hoje Faculdade de Saúde Pública da USP), em 1932. Foi a primeira mulher a concluir um mestrado em sociologia no País, com uma dissertação defendida em 1945 na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo.
Mais informações: imprensafsp@fsp.usp.br




