domingo, maio 17, 2026
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Prefeitos dos campi se reúnem em Ribeirão Preto e afinam gestão e obras – Jornal da USP


Abertura destacou o papel das prefeituras e um roteiro de ações em segurança, manutenção e compras com foco na transição

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Na penúltima reunião do ano, os dirigentes trocaram experiências e apresentaram resultados das ações em cada campus – Foto: Vladimir Tasca/SCS-RP

Na última quarta-feira, 23 de setembro, Ribeirão Preto recebeu o Encontro dos Prefeitos dos Campi da USP. A abertura, além de contar com apresentação do Coral da USP Ribeirão, teve a presença dos professores Arlindo Philippi Junior, chefe de Gabinete do Reitor, Edmilson Dias de Freitas, coordenador executivo do gabinete, e das professoras Lea Assed Bezerra da Silva e Eliana Franco Neme, prefeita e vice-prefeita do campus de Ribeirão Preto, respectivamente, e prefeitos, vice-prefeitos e representantes de todos os campi. 

Antes de qualquer formalidade, a prefeita Lea Assed agradeceu a todos os presentes e pediu objetividade para um encontro produtivo e desejou um excelente trabalho a todos. Na sequência, Arlindo cravou o espírito do evento. “É a nossa penúltima reunião do ano, parte de uma sequência que percorre os campi, envolvendo professores e servidores. Esta troca partilha acertos e, principalmente, evita armadilhas. Vale reconhecer o que deu certo e aprender com o que não foi tão positivo.”

A vice-prefeita Eliana Franco Neme reforçou a dimensão de rede que se consolidou nos últimos anos. “Na minha experiência, esses encontros têm sido absurdamente engrandecedores. Viramos uma rede de apoio. Que essa experiência partilhada seja o motor do nosso trabalho hoje.”

Diagnóstico que vira ação

O primeiro bloco trouxe o diagnóstico preliminar da gestão de manutenção e operação, apresentado por Luís Fernando Costa Alberto, prefeito do campus de São Carlos, e Ana Lucia Gabas Ferreira, prefeita do campus de Lorena. Segurança e iluminação apareceram como pauta comum a todos, assim como a administração das áreas verdes.

“Montamos um grupo de trabalho, aplicamos questionários e consolidamos um retrato das prefeituras”, resumiu Luís Fernando. “Os dados mostram necessidade de recomposição de equipes, próprias e terceirizadas, e investimento contínuo em sistemas eletrônicos de segurança. Trânsito e estacionamento lideram as ocorrências. Há realidades distintas entre os campi, mas converge a ideia de equipes mínimas equilibradas.”

Ele mostrou que os modelos de contratação variam: em alguns campi há contrato guarda-chuva que reúne portarias, vigilância e videomonitoramento; em outros, os números divulgados cobrem apenas a prefeitura, sem os custos das unidades, o que exige padronização para tornar as comparações válidas. No acesso, prevalece o Cartão USP e restrição noturna; a leitura de placas adotada em Piracicaba orienta a implantação em São Carlos. “Há consenso sobre a relevância dos sistemas eletrônicos e uma tendência de terceirizar portarias e reforçar rondas, enquanto o videomonitoramento ainda carece de diretriz única, por isso, o próximo passo é consolidar dados e unificar critérios”, finaliza.

(Da esq. p/ dir.) Eliana Franco Neme, Lea Assed Bezerra da Silva, Arlindo Philippi Junior e Edmilson Dias de Freitas – Foto: Vladimir Tasca/SCS-RP

Áreas verdes entre ciência e prevenção

No panorama das áreas verdes, Ana Gabas apresentou um quadro geral e destacou: “Temos equipes envelhecidas, além de riscos de queda de árvores, entre outros problemas. Há demandas que pedem mão de obra especializada. Além disso, contratos bem desenhados trazem previsibilidade e segurança. Em alguns campi, áreas experimentais exigem cadastro e etiqueta para não interferir em pesquisas.” Para ela, mapear o que é comum e incluir pequenos departamentos sob guarda da prefeitura, quando fizer sentido, ajuda a garantir padrões de poda, corte e conservação.

Ao fechar o bloco, o coordenador executivo da Reitoria trouxe a lembrança clássica do serviço público silencioso. “As pessoas usam restaurante, biblioteca, vias, água, energia, saneamento, mas não percebem porque o trabalho é bem feito. Sem as prefeituras, não haveria pesquisa nem ensino funcionando todos os dias.” Para ele, a gestão atual aproximou administração central e campi, algo que precisa continuar. “Se duas coisas devem seguir na próxima gestão são o Programa Reitoria no Campus e a reunião de prefeitos. É assim que a Universidade funciona.”

Compras centralizadas e compras compartilhadas

No segundo bloco do período da manhã, o professor Amaury José Rezende, diretor-geral do Departamento de Administração da USP, falou sobre compras centralizadas e as compartilhadas. Para Rezende, centralizar pode trazer escala e qualidade técnica, desde que a prefeitura do campus seja o órgão gestor do contrato e as unidades executem e fiscalizem localmente, com responsabilidade financeira. “Um contrato-mãe, com subdistribuição de cotas, como já se faz em outros serviços, atrai empresas melhores, permite exigências técnicas mais altas e reduz fragmentação”, explicou. 

Ele alerta, porém, ser contra a centralização sem salvaguardas: quando um contrato de limpeza caiu, a USP só não ficou descoberta porque havia outro instrumento vigente. “Coordenação central, sim; dependência cega, não.” Na segurança patrimonial, foi direto: terceirizar a vigilância de rotina e manter servidores em coordenação estratégica. “Não vivemos na Noruega; fechamos o que for possível e usamos tecnologia, videomonitoramento e controle de acesso, por exemplo.” 

Para o diretor, as compras compartilhadas precisam andar: para objetos coletivos e valores maiores, o fluxo processual deve ser diferenciado, evitando checagens em cascata que matam a janela de preço. “Se o processo compartilhado ficar 40 dias só na checagem, perdemos eficiência.” Daí a defesa de padronizar o que for possível, “não precisamos de 6 mil licitações para itens idênticos, como papel higiênico e café, podemos ter registro de preços e referência únicos, sem ferir a autonomia”. 

Para institucionalizar o método, Amaury propôs as Comissões de Planejamento Setorial em cada campus, por portaria do reitor, reunindo especialistas em planejamento, gestão de contratos, orçamento e análise de riscos; caberá a elas agrupar demandas, produzir artefatos únicos (termos, minutas, matrizes de risco), segregar funções e respeitar a autonomia das unidades. “É articulação, não interferência. Apoio, não substituição.”

Entre os objetos prioritários para centralizar/compartilhar, listou serviços com dedicação de mão de obra (limpeza, vigilância, portaria), manutenções (climatização, telhados, controle de pragas, jardins, geradores, elevadores), bens e serviços de informática, materiais de laboratório, mobiliário e EPIs, tudo para “concentrar expertise, qualificar fiscalização e elevar a régua técnica”. 

Sobre o Plano de Contratações Anual (PCA), pediu que seja peça de gestão, não de improviso: alterações só quando justificadas, com análise de risco e explicação do porquê não estavam previstas. Para sustentar tudo isso, relatou reestruturação das áreas de compras e contratos e ampliação da capacitação (cursos, oficinas, fórum de licitações, com ênfase em sanções e planejamento pré-contratual), lembrando que fiscalização exige formação continuada. 

No flanco logístico, defendeu reduzir a frota própria quando fizer sentido, migrar gradualmente para locação de veículos leves e credenciar oficinas para manter o que ficar, com manutenção preventiva e fiscalização técnica e administrativa sob controle da Universidade; hoje, há uma frota heterogênea e envelhecida. 

Sobre o meio ambiente, defendeu política de gestão e engenheiro florestal em campi extensos, para conservação, poda/supressão e prevenção de riscos, em linha com o diagnóstico das áreas verdes. Como exemplo de cooperação bem-sucedida, citou a energia fotovoltaica: pré-projetos acadêmicos, licitação pelas prefeituras, projeto executivo da empresa vencedora e execução em série, “uma solução compartilhada que saiu do papel quando a conversa virou procedimento”.

Estavam na reunião prefeitos, vice-prefeitos e representantes de todos os campi – Foto: Vladimir Tasca/SCS-RP

Tarde de mapas e entregas

À tarde, o coordenador executivo coordenou o mapa de ações por campus. O que já foi concluído, o que está em andamento, o que pode ser entregue ainda nesta gestão e o que seguirá para a próxima. Obras do projeto Pertencer foram atualizadas pelo professor Hugo Yoshizaki. 

Também foram apresentados os resultados das reuniões que aconteceram paralelas aos dois blocos do período da manhã. Assistentes trabalharam protocolos de procedimentos para rotinas administrativas e a prefeitura local compartilhou formulários e rotinas que organizam o dia a dia: cadastro anual de pesquisas em áreas verdes com etiquetas de identificação, autorização de sobrevoo de drones, registro de imagem, uso do restaurante, divulgação de eventos. A orientação foi criar um repositório comum de documentos e modelos padronizados, além de um canal de troca entre os campi.

Engenheiros e arquitetos avançaram em modelos e padrões para infraestrutura. A síntese foi pragmática. “Precisamos reforçar as divisões de espaço físico sob as prefeituras e ter a instância central como órgão consultivo e padronizador”, resumiram os técnicos. “Sem padrões, o fiscal anda no fio da navalha.” Da conversa emergiu uma regra de bolso, “um fiscal, para cumprir integralmente o que pede a nova lei, não deve responder por mais de quatro contratos operacionais. Em vários campi, a carga está acima do ideal”, enfatizaram.

No encerramento, Arlindo listou encaminhamentos e anunciou o pedido de um relatório de transição elaborado por cada campus e remetido ao reitor. O documento terá até quatro páginas e trará três blocos: programas e projetos em desenvolvimento, com estágio de execução; situações potencialmente críticas que demandem atenção imediata da próxima gestão; e outros pontos relevantes ao próximo dirigente. A entrega foi indicada para 31 de outubro, com a finalidade de oferecer à futura gestão um panorama claro do que está em curso em cada unidade e campus. 



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