Embora muitas vezes naturalizada, a cólica menstrual intensa deve acender um sinal de alerta. Segundo o professor, quando a dor interrompe a rotina escolar ou de trabalho por dias, não melhora com analgésicos comuns ou compromete a vida social, é preciso procurar atendimento médico especializado.
“Se a adolescente precisa faltar à escola com frequência, por meses consecutivos, devido à dor, isso não é normal. É um sinal claro de que precisa de avaliação personalizada”, orienta o professor. Ele ressalta, porém, que nem sempre será identificado um diagnóstico de patologia, como a endometriose, por exemplo.
“A maioria das meninas não terá uma doença evidente, mas a dor é real e precisa ser legitimada. O acolhimento é parte essencial do tratamento.”
O estudo também analisou a influência da saúde mental e mostrou que ansiedade e depressão explicam apenas uma pequena parte da associação. Ainda assim, a relação é complexa. “A dor crônica pode gerar sintomas depressivos e ansiosos, mas pessoas com histórico de ansiedade e depressão também são mais vulneráveis a desenvolver dor. É uma via de mão dupla, e o tratamento precisa considerar isso”, explica o professor.


