segunda-feira, maio 18, 2026
HomeSaúde física e emocionalMesmo com baixa taxa de liberação, concentração de elementos tóxicos em brinquedos...

Mesmo com baixa taxa de liberação, concentração de elementos tóxicos em brinquedos acende alerta – Jornal da USP


Ao todo, a equipe analisou 70 brinquedos de plástico (carrinhos, bonecas, brinquedos educativos, instrumentos musicais e figuras de animais destinados a crianças de até 12 anos) pequenos o suficiente para serem levados à boca. Todos os objetos foram adquiridos em shoppings, lojas especializadas, mercados de rua e grandes varejistas de Ribeirão Preto, SP.

Para as análises, pequenas amostras do plástico dos brinquedos passaram por moagem e, a seguir, por dissolução para liberar os elementos químicos num processo chamado digestão ácida assistida por micro-ondas. Por fim, as amostras foram analisadas por espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado, técnica que consegue detectar e medir múltiplos elementos químicos de forma simultânea, mesmo que estejam em concentrações muito baixas.

“Nem todo o contaminante que está no plástico vai de fato entrar no corpo da criança. Algumas vezes esse elemento pode ficar de forma presa sem que seja liberado para ser absorvido pelo corpo”, informa Rocha, adiantando que eos cientistas criaram, em laboratório, condições para simular o que acontece quando uma criança coloca o brinquedo na boca. “Colocamos as amostras dos brinquedos em uma solução que imita o suco gástrico do estômago e medimos quanto do elemento tóxico se dissolve”, diz sobre os testes de bioacessibilidade.

Conta o pesquisador que esses elementos potencialmente tóxicos são adicionados durante a fabricação de brinquedos; são pigmentos, estabilizantes no processamento de PVC, um tipo de plástico resistente, e auxiliares de processamento. Os testes analisaram elementos regulamentados pelo Inmetro para a fabricação de brinquedos, incluindo bário, chumbo, antimônio e crômio.

Como resultados das análises, verificaram a alta concentração de bário em 44,3% das amostras, atingindo máximas superiores a 15 mil mg/kg, quando tanto o Inmetro quanto a União Europeia estabelecem 1 mil mg/kg como limite para o elemento. Já o chumbo foi outro elemento químico cujo limite permitido foi ultrapassado em 32,9% das amostras, com um pico de cerca de 337 mg/kg contra os 90 mg/kg permitidos pelo Inmetro.



Fonte