Nem só de más notícias vive o jornalismo. O professor Carlos Eduardo Lins da Silva celebra o aumento da receita do jornal britânico The Independent e a cooperação entre redações e a área de tecnologia com a inteligência artificial promovida pelo Financial Times. O Independent conseguiu pela primeira vez, desde que se tornou apenas digital, em 2016, ter uma receita maior do que tinha antes, quando era principalmente um veículo impresso. E isso, segundo o colunista, é importante porque vem numa sequência de bons resultados financeiros, constituindo-se no oitavo ano consecutivo em que o faturamento do Independent cresce e dobrou desde 2019. “Em seis anos eles conseguiram dobrar o seu faturamento, que agora ultrapassa a cifra de 50 milhões de libras esterlinas. Os motivos para esse crescimento são diversos, inclusive a expansão que está tendo em termos de assinantes nos Estados Unidos e em outros países e também pelo lançamento do seu braço televisivo, seu braço de vídeo. Como a gente também já comentou aqui algumas vezes, o jornalismo está cada vez mais se dirigindo para o visual em vez da redação escrita, redação com letras”.
Já o Financial Times conseguiu conseguiu crescer 300% a sua taxa de conversão de pessoas que recebem informações sobre o jornal e que podem se tornar assinantes a partir dessas informações.
“Usando a inteligência artificial, eles conseguem fazer com que as mensagens sejam enviadas de uma forma mais personalizada”. Nesse ponto, o colunista também tem algo a dizer sobre o New York Times: “O New York Times, que é o exemplo mais bem sucedido de jornalismo desde que nós passamos por essa revolução no final do século passado, é o jornal que mais se deu bem. Ele está atualmente com 12 milhões de assinantes. Desses, dois milhões vivem fora dos Estados Unidos. Mas o maior sucesso que o New York Times tem é uma newsletter jornalística chamada The Morning, veiculada na parte da manhã nos Estados Unidos e que tem 17 milhões de assinantes. É claro que a assinatura da newsletter é muito mais barata do que a assinatura do jornal inteiro, mas é um número impressionante, 17 milhões de assinantes”.
Por fim, Lins da Silva destaca que o jornal norte-americano está tentando agora aumentar sua penetração fora dos Estados Unidos, lançando, com base na experiência do The Morning, uma newsletter chamada The World, o mundo, em que o alvo serão pessoas que vivem fora dos Estados Unidos. “Como acontece também com o Independent, como acabei de dizer, é um produto, é uma newsletter que é basicamente um veículo de vídeo, embora também tenha texto. E a maneira como o The World vai ser veiculado também é muito baseada em inteligência artificial […] São três exemplos de que as coisas podem dar certo para o jornalismo, se elas forem feitas com boa qualidade e até com a ajuda da inteligência artificial”, finaliza.


