segunda-feira, maio 18, 2026
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Pesquisador da USP conquista dois prêmios por avanços no tratamento da esclerose sistêmica – Jornal da USP


Estudo inédito sobre o papel da epiderme na resposta ao transplante de células-tronco amplia perspectivas terapêuticas para doença autoimune rara

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Esclerose sistêmica é uma doença autoimune caracterizada por lesões microvasculares – Foto: Wikimedia Commons

O avanço nas pesquisas voltadas ao tratamento da esclerose sistêmica resultou em dois prêmios conquistados pelo biólogo Djúlio César Zanin em 2025. O pesquisador, vinculado à Iuliu Hațieganu University of Medicine and Pharmacy, na Romênia, concluiu recentemente o doutorado no Programa de Imunologia Básica e Aplicada da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e desenvolveu seu trabalho no Centro de Terapia Celular (CTC) do Hemocentro de Ribeirão Preto da USP, sob orientação da professora Maria Carolina de Oliveira Rodrigues.

Djúlio César Zanin – Foto: YouTube/HemocentroRP

O estudo intitulado Autologous hematopoietic stem cell transplantation modulates epidermal-related inflammation/fibrosis mechanisms in systemic sclerosis patients (Transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas modula mecanismos de inflamação/fibrose relacionados à epiderme em pacientes com esclerose sistêmica) foi premiado em primeiro lugar no 31º Encontro de Reumatologia Avançada, realizado entre 29 e 31 de maio em Ribeirão Preto, promovido pela Sociedade Paulista de Reumatologia. A pesquisa também recebeu o Prêmio William Chahade, durante o 42º Congresso Brasileiro de Reumatologia, ocorrido entre 17 e 20 de setembro em Salvador, organizado pela Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Desenvolvimento do projeto

A esclerose sistêmica é uma doença autoimune caracterizada por lesões microvasculares e graus variados de fibrose na pele e em órgãos internos. Os sintomas incluem falta de ar, dores, manchas cutâneas e rigidez muscular, que comprometem a mobilidade e a qualidade de vida dos pacientes.

A inovação do trabalho está em analisar as melhorias clínicas na epiderme – a camada mais superficial da pele – após o transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas, destacando o papel dessa estrutura nos mecanismos de inflamação e fibrose associados à doença. Até então, a maioria dos estudos concentrava-se na derme, camada mais profunda e espessa da pele, rica em vasos sanguíneos e fibras elásticas.

O transplante visa reconstruir o sistema imunológico do paciente. Para isso, as células-tronco hematopoéticas são coletadas do próprio indivíduo, que passa por uma etapa de imunossupressão intensa para eliminar os linfócitos responsáveis pela autoimunidade. Em seguida, as células são reinfundidas no organismo, promovendo o restabelecimento de um sistema imunológico mais equilibrado e tolerante.

fachada de um prêdio com vidros e pilastras nas cores azul e vermelho
Fachada do Hemocentro de Ribeirão Preto – Foto: Marcos Santos/USP imagens

Desde o mestrado, Zanin investiga as moléculas e células envolvidas no eixo inflamação-fibrose em pessoas submetidas ao transplante autólogo. O procedimento é considerado uma alternativa terapêutica promissora para casos graves e progressivos da esclerose sistêmica, com resultados que apontam melhora significativa da função e da aparência da pele.

O médico Pedro Delghingaro Forti, residente em Reumatologia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, também colaborou com o estudo, oferecendo uma perspectiva clínica ao acompanhar a coleta e análise dos dados antes e após o transplante, observar uma redução rápida da fibrose cutânea em semanas e meses após o procedimento.

Mais informações sobre o trabalho neste link.

*Estagiária sob supervisão de Rose Talamone, com informações de Eduardo Vidal, Assessoria de Comunicação do CTC



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