Tudo começou como um projeto pessoal do professor, que percebeu que os laboratórios de pesquisa do Brasil enfrentavam um problema com reagentes. Caros e de validade curta, eles eram frequentemente descartados após o uso, gerando custos adicionais para as instituições de ensino. “Você compra um reagente caro, que demora meses para chegar, e não consegue usar mais do que 30% antes de vencer. Depois, o ônus fica para a universidade, que precisa dar uma destinação, enquanto seu colega do lado nem sabe que você tem”, explica o professor.
Pensando nisso, ele desenvolveu uma plataforma, semelhante a uma rede social, na qual os laboratórios poderiam compartilhar o excedente de reagentes. O projeto chegou a contar com 700 laboratórios cadastrados, mas acabou sendo encerrado devido a dificuldades financeiras para sua manutenção. Foi então que surgiu uma nova vertente: a educação.
Entre 2005 e 2013, o professor morou na Coreia, trabalhando com pesquisa translacional em doença de Chagas. Em poucos anos, seu laboratório tornou-se referência mundial na área, com reportagens em grandes revistas científicas. Durante esse período, uma das exigências dos órgãos coreanos era que ele recebesse alunos e escolas. No início, era difícil, pois o professor precisava reservar um dia para preparar a aula e passar a tarde nas escolas, explicando às crianças o propósito da ciência. Para ele, o que inicialmente era um objetivo acadêmico acabou se tornando uma importante vertente de seu trabalho.


