Exposição no MAC reúne obras de alunos da USP e da Austrália – Jornal da USP
Mostra é resultado do contato a distância entre pós-graduandos da Escola de Comunicações e Artes e do Victorian College for the Arts
Publicado: 08/10/2025 às 16:05
Obra de AriFrost e Kate Murrell na exposição Soft Machines, em cartaz no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP – Foto: Divulgação/Exposição Soft Machines
Uma exposição de obras de pós-graduandos em Artes Visuais da USP e do Victorian College for the Arts (VCA), de Melbourne, na Austrália, está em cartaz até este domingo, dia 12, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. A exposição Soft Machines traz o resultado do contato a distância entre estudantes das duas instituições – separadas por 15 mil quilômetros uma da outra –, que, divididos em grupos, trocaram ideias e informações para produzir seus trabalhos. O título da mostra é inspirado no romance The Soft Machine, do escritor e artista visual estadunidense William Burroughs (1914-1997), que escreveu o livro usando a técnica cut-up – uma narrativa aleatória em que um texto linear é “recortado” para dar origem a outro texto.
“Soft Machines explora a transmissão de ideias através de continentes e fusos horários”, destaca o texto de apresentação da exposição, assinado pelos coordenadores da mostra, a professora Lucia Koch, do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, e o professor Dane Mitchell, do Victorian College for the Arts. “Assim como nas narrativas fragmentadas de Burroughs, essa colaboração ocorre de maneiras aleatórias e múltiplas, permitindo que ideias concebidas em um continente tomem forma em outro através das mãos de parceiros distantes. Incorporam o que o mal-entendido, o transcrito, o interpretado e o mal-montado oferecem para que algum sentido novo ocorra.”
No texto, Koch e Mitchell explicam o processo de criação empregado pelos alunos da USP e do college australiano. “Alguns deles deram materialidade às ideias de seus parceiros remotamente, enquanto outros construíram obras através de um diálogo contínuo, trocando decisões criativas como um cadavre exquis em câmera lenta”, escrevem os coordenadores, citando a técnica desenvolvida nos anos 1920 por artistas surrealistas, que consiste na elaboração de uma obra por várias pessoas. “Outros ainda encontraram abordagens híbridas em suas conversas a distância.”
A mostra é realizada paralelamente no MAC e no Victorian College for the Arts. “Em São Paulo, há a transparência modernista e os espaços abertos de Oscar Niemeyer em um edifício projetado para outros fins e posteriormente adaptado para abrigar o MAC, enquanto os espaços usados em Melbourne, no VCA Artspace, ocupam antigos armazéns e estábulos na região de Wurundjeri, convertidos em uma escola de arte”, informam Koch e Mitchell. “Algumas das obras expostas respondem a essas origens e usos anteriores de ambos os locais, enquanto outras refletem sobre as cidades e seus vernáculos.”
A exposição Soft Machines está em cartaz até este domingo, dia 12, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP (Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, Ibirapuera, em São Paulo). Entrada grátis.
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