segunda-feira, maio 18, 2026
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“Malês”, de Antônio Pitanga, resgata revolta escrava que marcou a história do Brasil – Jornal da USP


Guilherme Wisnik comenta o filme que leva às telas a Revolta dos Malês, ocorrida em 1835, em Salvador, e conecta passado e presente da luta contra a opressão

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Na coluna desta semana, o professor Guilherme Wisnik comenta o filme Malês, dirigido e estrelado por Antônio Pitanga, com participação de Camila Pitanga, Rocco Pitanga e Bukassa Kabengele, que traz ao grande público um episódio pouco conhecido, mas fundamental da história brasileira: a Revolta dos Malês, em 1835, em Salvador. Apesar de derrotado, o levante representou uma das mais significativas manifestações de resistência coletiva de africanos escravizados contra o regime colonial escravocrata, assustando a elite branca da época.

A obra se apoia nas pesquisas do historiador João José Reis e mostra a união dos africanos islâmicos malês com os nagôs, devotos do candomblé, em torno de um objetivo comum: reagir à brutal opressão e lutar pela liberdade, não apenas individual, mas também de culto e de destino. A atuação do elenco e a direção de Pitanga reforçam a relevância desse capítulo histórico, pouco abordado no ensino tradicional, mas central na formação do Brasil.

O impacto da revolta ecoou além das fronteiras nacionais: muitos dos escravizados libertos e deportados para a África levaram consigo conhecimentos técnicos que os transformaram em arquitetos e construtores em países como Nigéria, Benin e Togo. Em Lagos, por exemplo, surgiu o Brazilian District, bairro marcado pela arquitetura dos retornados, registrada décadas depois por Pierre Verger e, mais recentemente, pelo fotógrafo Tatewaki Nio. O filme, portanto, não apenas revisita um marco histórico, mas o conecta a heranças culturais e arquitetônicas ainda presentes.


Espaço em Obra
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar  quinzenalmente quinta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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