segunda-feira, maio 18, 2026
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Desenvolvimento sustentável passa pelo Zoneamento Ecológico-Econômico do País – Jornal da USP


Instrumento decorrente da Política Nacional de Meio Ambiente de 1981, apenas 28 das 79 iniciativas existentes no País foram regulamentadas por lei

Imagem mostra uma mão segurando uma muda de planta cultivada em um soquete (base de lampada) à esq., ao lado da qual encontra-se uma lâmpada fincada no solo e em cujo interior podem ser vistas outras mudas de plantas.
O ZEE é um importante instrumento de governança ambiental e a participação pública é fundamental no seu estabelecimento Fotomontagem Jornal da USP feita com imagens de Freepik e Freepik
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O ZEE (Zoneamento Ecológico-Econômico) é um instrumento de planejamento ambiental e de gestão territorial, com o objetivo de subsidiar e fortalecer políticas públicas em direção ao desenvolvimento sustentável. O ZEE permite dividir o território em zonas que expressam as vocações do território, suas potencialidades, fragilidades, suscetibilidades e conflitos. Assim, permite compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a conservação ambiental.

Esse instrumento vem sendo consolidado no País desde que a política nacional do meio ambiente foi promulgada. As primeiras experiências foram na região da Amazônia Legal e na Zona Costeira do País, contribuindo com a formulação e implementação do plano nacional e dos vários planos estaduais de gerenciamento costeiro. Hoje, com medidas necessárias ao enfrentamento das mudanças do clima, o ZEE se torna uma possível alternativa versátil, visando ao subsídio a planos e ações de adaptação e resiliência climática.

Sobre o estudo

Márcia Itani, pós-doutoranda pelo Programa USP Cidades Globais, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP) e autora do estudo, explica o processo: “São experiências que acontecem desde a década de 1980. A gente conseguiu fazer esse levantamento com revisão bibliográfica, análise de documentos e normas que falam desse instrumento e também complementamos com entrevistas, sobretudo com técnicos dos órgãos públicos estaduais ou mesmo do Governo Federal, que estão à frente da formulação e implementação dessas experiências. A gente conseguiu identificar 79 experiências de ZEE no País, desde a década de 1980, com abrangências de território muito diferentes. Desde abrangências macro-regionais, que compreendem mais de um Estado da Federação, até abrangência estadual, território estadual, intraestadual, ou seja, dentro do território de cada Estado e experiências costeiras.”.

Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo – Foto: FAPESP

Márcia cita experiências nacionais entre o Brasil e a Venezuela, experiências interestaduais, e outras municipais. A maioria das experiências verificadas pela pesquisa trata da gestão costeira e da gestão amazônica. “Têm experiências também muito específicas, que procuram prevenir e também se preparar para questões como ressacas, estiagem prolongada, isso acontece mais em alguns Estados do Nordeste e mesmo da Amazônia, e também experiências que são voltadas à regulação de atividades econômicas”, completa Márcia.

O papel do zoneamento

A professora Amarilis Lúcia Casteli Figueiredo Gallardo, da Escola Politécnica da USP, explica que o ZEE é um importante instrumento de governança ambiental e que a participação pública é fundamental no seu estabelecimento: “Também é preciso estruturar recursos, mobilizar equipes técnicas permanentes de órgãos públicos que vão dar suporte à implementação dessas medidas técnicas. Também tem outras ações importantes, para que a gente avance na aprovação legal e, consequentemente, implementação em todo o território nacional, em todo o potencial desse instrumento.”

Por fim, a professoras Amarilis completa: “O ZEE contribui para enfrentar esses grandes desafios globais por ser um instrumento baseado em diagnóstico do território, prognóstico de uma situação futura e que numera, a partir dessa análise, uma série de diretrizes, tanto para o planejamento quanto para a gestão do território. Ele vai considerar aspectos sociais, econômicos e ambientais que são a base da sustentabilidade, mas de uma forma muito escalar. Nesse sentido, o ZEE, tem um papel importantíssimo para subsidiar o planejamento, o ciclo do planejamento, as políticas públicas, e foi o que a gente tentou demonstrar nessa pesquisa que a gente apresentou nesse artigo”.


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