segunda-feira, maio 18, 2026
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O futebol moderno exige uma visão contextualizada da performance física – Jornal da USP


Bruno Bedo comenta a respeito de estudo realizado por pesquisadores que analisaram três temporadas consecutivas da Liga Inglesa de futebol

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Na coluna de hoje (10), o professor Bruno Bedo fala sobre as corridas de alta intensidade durante os jogos de futebol, apoiando-se num estudo realizado por um grupo de pesquisadores – incluindo docentes da Escola de Educação Física e Esporte da USP -, o qual analisou três temporadas consecutivas da Liga Inglesa de futebol. O objetivo foi o de entender como fatores táticos e contextuais influenciam o volume e a intensidade das corridas durante as partidas. Os resultados indicam uma diferença clara entre o que acontece com e sem a posse de bola. O estudo analisou o papel desempenhado pelos atletas que atuam pelas extremidades do campo, conhecidos como pontas, defensores, principalmente os zagueiros centrais, e os meio-campistas. Diz Bedo: “O estudo mostrou que os jogadores realizam menos corridas intensas contra adversários mais fortes, especialmente em jogos fora de casa. Isso sugere que diante de equipes de nível maior os atletas tendem a conservar energia e recuar mais, diminuindo ações em alta intensidade. Curiosamente, os jogos fora de casa apresentaram maior volume volume de corridas em alta velocidade sem a posse, possivelmente por exigirem mais recomposição defensiva e transições rápidas”.

Essas informações, de acordo com o colunista, ajudam a compreender que o desempenho físico no futebol é profundamente independente do contexto tático e situacional em que essas equipes se encontram. “Em termos práticos, isso significa que o treinamento não deve ser baseado apenas nos volumes genéricos de corrida, mas adaptado às demandas específicas de cada posição e momentos do jogo. Por exemplo, os atletas que atuam pelas extremidades, no perímetro ofensivo, ou atacantes, podem se beneficiar de exercícios que estimulem acelerações curtas e sprints sucessivos, simulando situações de ataques e recomposição. Já defensores e meio-campistas devem priorizar treinos que combinem resistência e posicionamento tático, especialmente em cenário de jogo sem a posse. Além disso, o estudo reforça que analisar o desempenho com base na posse de bola traz uma visão mais precisa da exigência real das partidas. Incorporar essas análises pode auxiliar treinadores e preparadores físicos a individualizar o treinamento e otimizar o desempenho coletivo. Em suma, o trabalho mostra que o futebol moderno exige uma visão contextualizada da performance física. Durante a posse, quem dita o ritmo é a posição e a função tática do atleta. Sem a posse, talvez o contexto, como o local da partida e a força do adversário, eles definem o quanto o jogador precisará correr em alta intensidade. Compreender essas características do jogo permite ajustar o treinamento e preparação física de forma mais inteligente, aproximando a ciência do futebol da realidade do jogo em si”, conclui.


Ciência e Esporte
A coluna Ciência e Esporte, com o professor Bruno Bedo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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