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Césio-137 encontrado em sedimentos de rio em SP pode delimitar Antropoceno – Jornal da USP


O pesquisador coletou amostras em quatro pontos da planície fluvial do rio Ribeira de Iguape: no canal principal, onde a água tem maior permanência e velocidade; na planície de inundação, sujeita a cheias e transbordamentos; na bacia de decantação, área mais calma em que os sedimentos se acumulam; e no meandro abandonado, trecho desconectado do curso principal que funciona como um lago.

Os ensaios laboratoriais de espectrometria de gama, fluorescência de raios X e análise de pH da água confirmaram a presença de Césio-137 em todos os locais investigados, mas em concentrações distintas. Os maiores picos foram registrados justamente na bacia de decantação e no meandro abandonado, ambientes de deposição lenta de sedimentos. No canal principal também foram detectados picos de Cs-137, mas sem possibilidade de quantificação devido à forte correnteza, que transporta e remobiliza continuamente o material. Já na planície de inundação, os níveis detectados foram mais baixos em comparação aos demais pontos.

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Posted: 06/03/2023

A pesquisa também identificou um pico de concentração de Césio-137 em 1963, período marcado pela maior chuva radioativa já registrada no mundo. O fenômeno foi resultado dos testes nucleares da Guerra Fria que lançaram grandes quantidades de material radioativo na atmosfera e ficou conhecido como máximo Fallout, período de maior entrada de césio no ambiente. Rodrigues explica que esse dado veio da análise de um perfil dos sedimentos do rio: “Ao detectar o ponto de maior atividade radioativa foi possível associá-lo a 1963, já que esse foi o auge dos testes nucleares”, diz.

“Os traços de césio associados à grande aceleração, iniciada na década de 1950, funcionam como um ‘carimbo geológico’, que evidencia de forma clara o momento em que a humanidade deixou um registro na história da Terra e dos sistemas naturais”, conclui o geógrafo.



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