Delegação alemã foi recebida em encontro que reforçou a cooperação entre as duas instituições em diferentes áreas de pesquisa
Por Michel Sitnik

A Reitoria da Universidade de São Paulo recebeu, na sexta-feira, 10 de outubro, a visita de uma delegação da Sociedade Max Planck, chefiada por seu presidente, Patrick Cramer. O grupo foi recebido pelo reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior e por representantes de diversas instâncias da gestão universitária.
A Sociedade Max Planck é uma das principais organizações de pesquisa da Alemanha, com sede em Munique e mais de 80 institutos dedicados à ciência básica em diferentes áreas do conhecimento. Criada em 1948, é internacionalmente reconhecida por seus avanços científicos e por manter uma rede de cooperação com universidades e centros de pesquisa em todo o mundo.
A comitiva da instituição alemã contou com a secretária-geral da Sociedade Max Planck, Simone Schwanitz; do diretor do Instituto Max Planck de História e Teoria do Direito, Thomas Duve; da diretora do Instituto Max Planck de Biogeoquímica, Susan Trumbore; do representante da Sociedade Max Planck para a América Latina, Tobias Renghart; e da assistente da representação regional, Carolina Abadie. A cônsul-geral da Alemanha em São Paulo, Martina Hackelberg, também participou da visita.
O presidente da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani), Sergio Proença, apresentou dados sobre a Universidade e destacou os Centros de Estudos da Universidade, criados nos últimos meses pela Reitoria e que reúnem pesquisadores de diferentes áreas em torno de desafios científicos comuns. Esses centros multidisciplinares foram formatados para promover a integração entre unidades e institutos e têm permitido o desenvolvimento de projetos de grande impacto e de natureza colaborativa, ampliando o alcance das pesquisas da Universidade em diferentes áreas.
Pesquisadores da USP apresentaram iniciativas que estão em andamento em parceria com institutos da Sociedade Max Planck. O diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), Eduardo Neves, expôs resultados de estudos arqueológicos desenvolvidos na Amazônia, que têm contribuído para ampliar o conhecimento sobre a ocupação humana na região e para o desenvolvimento de ferramentas voltadas à preservação ambiental. Em sua apresentação, ele lembrou do papel dos naturalistas alemães Carl Friedrich Philipp von Martius e Johann Baptist von Spix, pioneiros na documentação da fauna e flora do Brasil a partir de uma expedição realizada em 1817.
Em sua fala, o reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior destacou o papel da USP na produção científica brasileira e apresentou informações sobre o modelo de financiamento da Universidade, seu processo de internacionalização e a ampliação de parcerias com instituições estrangeiras. Segundo ele, o diálogo com a Sociedade Max Planck reforça uma trajetória de cooperação científica que já envolve diversos grupos e pesquisadores da USP. “A internacionalização é um eixo central da nossa política acadêmica e de pesquisa. A USP tem buscado ampliar sua presença no cenário global, e muitas das nossas iniciativas mais produtivas surgem justamente de colaborações com instituições internacionais. Como somos uma instituição muito grande e abrangente, teríamos uma dificuldade em levar todos os nossos alunos para experiências fora, de modo que também investimos bastante no que chamamos de internacionalização em casa, ou seja, contamos com centros internacionais de peso em nossos próprios campi, proporcionando assim as experiências de colaboração com outros países mesmo sem viagens. Diversos grupos da Universidade já têm desenvolvido projetos conjuntos com o Max Planck em áreas como biologia, humanidades e ciências ambientais. Fortalecer essa parceria significa criar novas oportunidades para nossos pesquisadores e contribuir para o avanço do conhecimento científico em escala global”, afirmou Carlotti.

O presidente da Sociedade Max Planck ressaltou o interesse da instituição em fortalecer a colaboração com a USP em áreas estratégicas de pesquisa e elogiou a estrutura acadêmica da Universidade, chamando a atenção especialmente para os Centros de Estudos. “A ciência enfrenta hoje desafios que ultrapassam fronteiras e exigem cooperação internacional. É fundamental que universidades e institutos trabalhem juntos para encontrar soluções sustentáveis e inovadoras. A USP tem uma tradição científica muito sólida, e a ideia dos centros multidisciplinares é especialmente inspiradora, porque cria um ambiente em que os pesquisadores podem ir além das salas de aula e desenvolver novas formas de pensar e inovar. Esse tipo de estrutura é essencial para o avanço da ciência em todo o mundo”, afirmou Patrick Cramer.
Após o encontro na Reitoria, a delegação visitou a planta de produção de hidrogênio a partir do etanol instalada na USP, desenvolvida pelo Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI, na sigla em inglês para Research Centre for Greenhouse Gas Innovation) no âmbito de um projeto que busca soluções sustentáveis para a transição energética. O sistema utiliza etanol como fonte renovável para a geração de hidrogênio de alta pureza, com o objetivo de reduzir emissões de carbono e viabilizar o uso do combustível em aplicações industriais e de transporte. A comitiva também visitou o Museu de Arqueologia e Etnologia, onde foram apresentadas pesquisas em andamento e o acervo do museu.





