domingo, maio 17, 2026
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O Nobel de Medicina e sua implicações para a saúde ocular – Jornal da USP


As descobertas premiadas podem  ajudar a descobrir formas de restaurar o equilíbrio da resposta inflamatória e maneiras de atuar na FOXP3 e nos linfócitos regulatórios para reverter as manifestações de tantas doenças autoimunes que afetam os olhos 

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Eduardo Rocha dedica-se nesta sua coluna a comentar o prêmio Nobel de Medicina concedido este ano a Mary Brunkow, Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi, cujos trabalhos têm implicações na saúde ocular. De acordo com Rocha, eles revelaram um mecanismo de balanço e contrapesos na defesa imune periférica, mediado pelos linfócitos T regulatórios e uma proteína (FOXP3), expressa nessas células. Estudos subsequentes, apoiados nesses achados, mostraram que, quando essa proteína tem alteração, ou essas células estão disfuncionais, doenças autoimunes têm manifestação nos olhos e podem levar à inflamação persistente e ao risco para a visão.

Rocha acrescenta que uma doença autoimune que leva à falta de lágrimas e saliva, com prejuízo para a deglutição e a digestão, além de outras manifestações, e cuja causa não é conhecida, chamada de doença de Sjogren, pôde ser mimetizada em modelos animais de camundongos com essas manifestações clínicas e laboratoriais por deleções no gene da proteína FOXP3 que causam alteração nas funções dos linfócitos T regulatórios. Em outros modelos de doenças relacionadas ao olho seco há também diminuição da expressão da FOXP3, em contraposição ao aumento de citocinas pró-inflamatórias, indicando essa quebra no balanço inflamatório que os autores laureados com o Nobel já vinham observando em outros modelos. Essas células, os linfócitos T regulatórios, produzidos pelo nosso sistema de defesa que circulam no sangue, quando disfuncionais, estão também implicadas em doenças que causam inflamação da órbita e do fundo do olho.

Dessa forma, essas pesquisas, agora premiadas com o Nobel de 2025, como outras no passado, contribuíram, algumas vezes não imediatamente, para compreender problemas da visão e da saúde ocular. A importância dessas pesquisas, às vezes não aparente no momento da publicação dos primeiros trabalhos, aparece tempos depois. Nesse caso de 2025, as descobertas premiadas podem ajudar a descobrir formas de restaurar o equilíbrio da resposta inflamatória e maneiras de atuar na FOXP3 e nos linfócitos regulatórios para reverter as manifestações de tantas doenças autoimunes que afetam os olhos.


Fique de Olho
A coluna Fique de Olho, com o professor Eduardo Rocha, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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