Estudo de farmacêutico formado pela USP, premiado em congresso na Itália, revela como microrganismos do gelo reagem ao aquecimento global e podem originar novas moléculas de interesse farmacêutico
Por Carolina Castro*

O estudo desenvolvido pelo pesquisador Gustavo Souza dos Santos, egresso da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, foi premiado durante o 73rd International Congress and Annual Meeting of the Society for Medicinal Plant and Natural Product Research, realizado em Nápoles, na Itália. O trabalho, apresentado em formato de pôster, investiga o potencial químico de fungos isolados da Antártica e as respostas dessas espécies ao estresse ambiental causado pelas mudanças climáticas.

Intitulado Fungos antárticos em um mundo em transformação: respostas do metaboloma ao estresse abiótico associado aos efeitos das mudanças climáticas, o estudo busca compreender como esses microrganismos se adaptam às variações de temperatura e perda de gelo, fenômenos que vêm alterando profundamente a biodiversidade do continente gelado. Segundo Santos, os fungos podem responder a tais condições extremas produzindo novas moléculas, o que abre caminho para a identificação de compostos bioativos de interesse farmacêutico e biotecnológico, além de permitir prever riscos toxicológicos.
Durante o pós-doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o pesquisador analisou como diferentes níveis de salinidade e variações no meio de cultura influenciam a produção de substâncias por fungos de ambientes extremos, como o marinho, o permafrost e o gelo glacial. As análises foram conduzidas com o apoio da Plataforma Instrumental de Ressonância Magnética Nuclear do Instituto de Química da Unesp.
O trabalho foi desenvolvido no Núcleo de Bioensaios, Biossíntese e Ecofisiologia de Produtos Naturais do Instituto de Química da Unesp, sob supervisão do professor Ian Castro Gamboa, em colaboração com o Laboratório de Química Orgânica do Ambiente Marinho da FCFRP, coordenado pela professora Hosana Maria Debonsi, e o Laboratório de Microbiologia Polar & Conexões Tropicais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A pesquisa tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e participação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), com coautoria de Nandjane Boa Morte, Maria Paula Machado Cardoso, Marina de Almeida Marcondes, Aníbal de Freitas Santos Junior, Hosana Maria Debonsi, Débora Luiza Costa Barreto, Luiz Henrique Rosa e Ian Castro Gamboa.
Realizado entre 31 de agosto e 3 de setembro, o congresso em Nápoles reuniu pesquisadores do mundo todo para discutir avanços na pesquisa em produtos naturais, com palestras, sessões de pôsteres e workshops.
*Estagiária sob supervisão de Rose Talamone



