domingo, maio 17, 2026
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Vivemos num tempo em que o diálogo parece ter saído de cena – Jornal da USP


Renato Janine cita os casos de Brasil, França e Venezuela como exemplos de que a falta de diálogo gera consequências políticas e sociais, além de ameaçar a paz

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Para o professor Renato Janine Ribeiro, o mundo vive hoje uma situação de negação do diálogo e ele atesta essa sua tese com três exemplos, a começar pelo do Brasil, em que “o número de deputados que vai para o Congresso, não com a intenção de fazer leis, não com a intenção de melhorar a vida, não com a intenção de negociar com seus pares, mas com aquela de dizer desaforos, criar problemas e para fim de soltar recortes para as redes sociais. Ou seja, a política virou no Brasil, em boa parte, entretenimento. Há um pessoal que fala para um público que está desencantado com a política e nada espera dela e que vai votar no candidato que faz a coisa mais divertida ou mais cheia de ódio, uma vez que o ódio engaja mais do que o afeto, que é também um sinal horroroso de um tempo que privilegia as paixões negativas, como raiva, ódio, às paixões positivas como amizade e amor”.

Outro exemplo que ele cita é o da França, onde o governo não consegue ser formado, “porque o país se dividiu em três linhas políticas, nenhuma das quais tem maioria no Parlamento. E a negociação para chegar a um acordo, por exemplo, entre centro-direita e centro-esquerda não rola, porque cada um dos lados tem condições que o outro não aceita de forma alguma. Então nós temos também um problema grande”.

Já na Venezuela, a atribuição do Prêmio Nobel da Paz à líder oposicionista venezuelana María Corina Machado também mereceu um comentário de Janine: “Independentemente dos méritos ou deméritos dela, que são muito contestados […] o fato é que esse prêmio foi atribuído justamente no momento em que o presidente dos Estados Unidos está ameaçando a Venezuela. Está explodindo e assassinando venezuelanos a bordo de barcos que, segundo Trump, sem nenhuma prova ter sido entregue, estariam transportando drogas para uma destinação final nos Estados Unidos. Nessa altura, você estimular uma pessoa que chamou várias vezes os Estados Unidos a intervir em seu favor para chegar ao poder na Venezuela, estimular isso é um ato pelo menos irresponsável. O que me preocupa muito é que o Prêmio Nobel, justamente da Paz, está sendo instrumentado para algo que não é exatamente paz, que pode inclusive resultar numa guerra. Eventualmente uma invasão da Venezuela, não se pode descartar, a Colômbia também foi ameaçada, e são nossos vizinhos. Se isso acontecer pode se espalhar para nós. Tudo isso num tempo em que o diálogo parece que saiu de cena”, conclui.


Ética e Política
A coluna Ética e Política, com o professor Renato Janine Ribeiro, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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