domingo, maio 17, 2026
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Papel dos bioinsumos para conservação de recursos naturais é tema da revista “Visão Agrícola” – Jornal da USP


Com o tema bioinsumos, uma publicação de 96 páginas, a revista reúne pesquisas e inovações da Esalq, reforçando o papel da instituição na transição para uma agricultura mais resiliente e eficiente no século 21

Raspagem de placa com fungo para preparação de inóculo – Foto: Acervo fotográfico do Laboratório de Patologia e Controle Microbiano de Insetos

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“O crescimento do mercado de bioinsumos tem sido confirmado por estatísticas diversas, seja pelo aumento da produção industrial para consumo próprio (on farm), pelo aumento das vendas nos mercados interno e internacional, ou pelo maior número de fábricas e registros de novos produtos nos órgãos competentes. Nesse segmento, o Brasil ocupa posição de vanguarda, não apenas por ser hoje um dos maiores produtores agropecuários do mundo mas, principalmente, por ter investido em pesquisa e desenvolvimento, por meio de instituições públicas e privadas, que resultaram em avanços tecnológicos com benefícios concretos para a produção agrícola do País, no combate a doenças e pragas, na promoção sustentável da fertilidade e na redução de custos. Como decorrência dessa expansão, o mercado passou a demandar regramentos claros do governo, que resultaram na aprovação pelo Congresso Nacional, em 23 de dezembro de 2024, de um novo arcabouço legal, específico para o setor, a Lei nº 15.070 – Lei dos Bioinsumos, que coloca o Brasil à frente também em termos de normatização do segmento, em relação aos demais países.”

Esse é um trecho da reportagem Protagonista dos bioinsumos, Brasil lidera em pesquisa, produção e consumo, que integra a revista Visão Agrícola, que acaba de ser lançada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba. A publicação, on-line e gratuita, trata da urgência imposta pelas emergências climáticas e a crescente demanda global por alimentos, que exigem uma transformação radical nos sistemas agroalimentares. “A agricultura sustentável emerge como um dos maiores desafios do século 21”, afirma no editorial a diretora da instituição, Thais Maria Ferreira de Souza Vieira. Segundo ela, a Esalq emerge como uma instituição pioneira, atuando na vanguarda da promoção de práticas agrícolas sustentáveis e contribuindo ativamente para a transição para uma agricultura mais equilibrada e resiliente.

Ao longo de sua história, a Esalq tem avançado nas ciências agrárias. Segundo a diretora, a pesquisa na instituição transcende as fronteiras acadêmicas, gerando impacto direto no campo e no mercado, e a inovação tecnológica é vista como um pilar central para a introdução de novas práticas que visam à redução do uso de insumos químicos, à preservação dos recursos naturais e ao aumento da eficiência. As linhas de pesquisa da instituição focam em soluções para o equilíbrio ecológico dos sistemas de produção, diz, dando exemplos como o manejo integrado de pragas e a agricultura de precisão, que garantem a eficiência no uso de recursos naturais e a manutenção da biodiversidade.

A diretora ainda destaca que a atuação da faculdade não se limita à pesquisa: “No ensino, a instituição forma profissionais com um olhar para o futuro da agricultura, e na extensão, promove a disseminação de conhecimento e tecnologias, facilitando a adoção de novas abordagens no manejo agrícola”. Ela ainda acrescenta que a Esalq tem se destacado por liderar os debates internacionais sobre o papel dos bioinsumos. “Os estudos conduzidos na instituição têm gerado avanços significativos no uso de agentes biológicos – como microrganismos, fungos e bactérias. Estes bioinsumos apresentam impactos expressivos em todo o sistema produtivo, desde a saúde dos solos até a qualidade dos alimentos.”

Capa da revista disponível para download gratuito – Foto: Esalq

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Panorama dos bioinsumos 

“O Brasil, sendo um dos maiores produtores agrícolas do mundo, enfrenta o desafio contínuo de aumentar sua produção e conciliar, ao mesmo tempo, produtividade com sustentabilidade. Esse desafio ocorre em um contexto de demanda crescente por alimentos, ante a previsão de um aumento de 34% na população mundial, até 2050, conforme a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Nesse contexto, os bioinsumos emergem como uma alternativa estratégica, substituindo ou complementando insumos químicos convencionais por produtos biológicos, como biofertilizantes, biopesticidas e inoculantes, entre outros”, afirmam Alessandro Cruvinel, Valéria Martins e Marcus Vinícius Segurado Coelho no artigo Como políticas governamentais têm influenciado a adoção de bioinsumos no Brasil.

Segundo eles, além de reduzir possíveis impactos ambientais nos sistemas agrícolas e a presença de resíduos indesejáveis em alimentos, os bioinsumos podem contribuir significativamente para a diminuição da dependência externa de insumos químicos importados, gerando emprego e renda no País, e para o desenvolvimento de soluções locais adaptadas às especificidades da agricultura tropical. Para eles, a adoção de insumos agrícolas de origem biológica no Brasil tem crescido exponencialmente, nos últimos anos, impulsionada pela busca de tecnologias mais eficientes e de menor custo, que estão cada vez mais disponíveis com os avanços tecnológicos, por consumidores mais exigentes e, sobretudo, por políticas públicas específicas que fomentam a sua produção e utilização.

Uma das estratégias apontadas pela revista é tema do artigo Desafios enfrentados para maior eficácia de bioinseticidas à base de fungos, de autoria de Marcos Faria. Como destaca o autor, no aplicativo Bioinsumos – criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) –, atualmente, há mais de 700 bioinsumos registrados no Brasil para o manejo de pragas, sobretudo à base de micros e macrorganismos, semioquímicos e extratos vegetais. “Deste total, cerca de um terço tem como princípio ativo um ou mais fungos capazes de causar infecções em insetos e/ou ácaros. Informalmente, os bioinseticidas à base de fungos entomopatogênicos são conhecidos, também, como micoinseticidas e/ou micoacaricidas”, informa 0 autor. Ele diz ainda que, em um levantamento realizado há mais de 15 anos, foram identificados quase 130 produtos desta natureza sendo comercializados em escala global, distribuídos em pelo menos dez espécies ou variedades de fungos.

Outro artigo, Bioprotetores têm capacidade de proteger plantas sem matar nenhum organismo, de  Wagner Bettiol, apresenta dados da Research and Markets que previu, em julho de 2023, que o mercado global de biocontrole atingiria, naquele ano, o valor de US$ 8,2 bilhões, antevendo um valor de US$ 25,74 bilhões para 2030, com uma taxa anual de crescimento – Compound Annual Growth Rate (CAGR) – de 17,67%. “No Brasil, de acordo com o agrônomo Cristiano Limberger – gerente de atendimento da Kynitec, multinacional voltada à produção de dados e análises sobre agricultura e saúde animal –, a área potencial tratada com agentes de biocontrole foi de 35.338 mil ha, 46.650 mil ha e 58.164 mil ha, nas safras 2021/2022, 2022/2023 e 2023/2024, respectivamente. Sendo que a taxa de crescimento foi >29% entre as safras 2018/2019 e 2023/2024.

Quando considerada a segmentação do mercado, os dados, segundo Limberger, indicam que “os bionematicidas, os bioinseticidas e os biofungicidas representaram 47%, 36% e 17% da área potencialmente tratada, respectivamente”, informa o artigo. Outra informação importante, segundo o autor, é que, para diversas culturas, o uso de bionematicidas superou o de nematicidas químicos, nas últimas três safras. “A evolução do uso de bionematicidas no País foi estupenda: de 6% do mercado, em 2015, passou a 75%, em 2022, enquanto que o mercado de nematicidas químicos foi reduzido de 94%, em 2015, para 25%, em 2022”, relata.

Leia na íntegra a revista Visão AgrícolaBioinsumos neste link. 
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