A anquiloglossia, se não tratada precocemente, pode impactar a fala, mastigação e a amamentação, adverte Ana Paula Fukuda
Por Simone Lemos

A anquiloglossia, conhecida popularmente como “língua presa”, é uma alteração congênita que pode afetar qualquer pessoa. Ela ocorre quando o freio lingual, aquela pequena membrana sob a língua, é curto ou rígido demais, limitando os movimentos da língua. Essa condição pode ser identificada já nos primeiros dias de vida.
De acordo com a fonoaudióloga Ana Paula Fukuda, mestre e doutora em Ciências pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais e docente do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia da USP de Bauru, a anquiloglossia pode causar diversas alterações, especialmente na fala.
Segundo a especialista, os sons mais afetados costumam ser aqueles que exigem elevação da língua, como os sons de palavras como rã, barata, amarelo, lata, dado e navio. Em casos assim, é comum que esses sons sejam produzidos de forma distorcida, substituídos por outros ou até mesmo não produzidos corretamente. A fala tende a se tornar mais restrita, com menor amplitude de movimentos, lembrando uma fala “travada”, como tentativa do corpo de mascarar a dificuldade.
Diagnóstico
O diagnóstico deve ser feito por um fonoaudiólogo especializado, que realizará uma análise anatomofuncional da cavidade oral e do frênulo lingual, avaliando seus impactos nas funções orofaciais, como fala, mastigação e deglutição. O tratamento, quando indicado, é cirúrgico e pode ser feito por diferentes profissionais, como dentistas ou médicos. Os procedimentos mais comuns são a frenotomia ou a frenectomia, realizados com instrumentos como tesoura, laser ou eletrocautério.
Após a cirurgia, é essencial o acompanhamento fonoaudiológico para reabilitação da mobilidade da língua, fortalecimento muscular e adequação da postura da língua em funções vitais como fala, mastigação e deglutição. O tempo de recuperação varia de acordo com a gravidade dos sintomas e o comprometimento do paciente com o tratamento.
Desde 2014 o chamado “teste da linguinha” é obrigatório e deve ser realizado entre 24 e 48 horas após o nascimento. Essa triagem precoce permite a detecção e correção da anquiloglossia ainda nos primeiros dias de vida, o que pode trazer benefícios significativos, como melhor sucção, amamentação mais eficiente e prevenção de futuras alterações no desenvolvimento da fala.
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