A pesquisa mostrou que, à medida que a temperatura do ar sobe, a umidade relativa tende a cair. “Isso acontece porque o ar mais quente consegue reter mais vapor de água. Assim, mesmo que a quantidade absoluta de umidade no ambiente não mude muito, a proporção de vapor presente em relação ao que o ar poderia suportar diminui”, descreve o estudo.
Nas simulações, esse efeito aparece com clareza: em Manaus, a umidade relativa que hoje gira em torno de 84,8% pode cair para 43,7% em outubro de 2080, quando a média da temperatura chegará a 37,3 °C. Em Florianópolis, no mesmo mês, a previsão é de 40,4% de umidade relativa, com temperaturas em torno de 28,2 °C.
Segundo a arquiteta, para Manaus, os resultados foram extremos: em 2080, até 88% das horas de permanência dentro das casas podem ocorrer em condições classificadas como de “emergência térmica”, ou seja, situações em que o corpo humano tem dificuldade de regular sua temperatura. Já em Florianópolis, uma cidade com clima considerado ameno, observamos aumentos expressivos na gravidade dos eventos de superaquecimento — mais de 300% em relação ao cenário atual.
“Esses dados são particularmente alarmantes porque mostram que nem mesmo regiões historicamente mais confortáveis, como Florianópolis, estarão isentas dos efeitos severos do aquecimento global” – Emeli Guarda


