domingo, maio 17, 2026
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Simpósio celebra o legado do neurofisiologista Miguel Rolando Covian – Jornal da USP


Além do simpósio, haverá missa “in memoriam”, na Catedral Metropolitana no dia 4 de novembro, às 18h30

Miguel Rolando Covian – Reprodução IEA-USP

 

Ribeirão Preto receberá, no dia 5 de novembro, o simpósio A Universidade Pensada e Vivida por Miguel Rolando Covian, homenagem aos 70 anos da chegada do cientista argentino ao Brasil. O evento será realizado das 9h às 17h no Anfiteatro da Bioquímica Professor Renato Helios Migliorini, no prédio central da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. O encontro é fruto de uma parceria entre a FMRP, o Centro de Memória e Museu Histórico da USP e a Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Trajetória de excelência científica e humanista

Nascido em 1913, na Argentina, Miguel Rolando Covian formou-se em Medicina pela Universidade de Buenos Aires e destacou-se como um dos mais promissores discípulos de Bernardo Houssay, primeiro Prêmio Nobel de Medicina da América Latina. Em 1955, a convite de Zeferino Vaz, passou a integrar a FMRP, onde liderou, por três décadas, o Departamento de Fisiologia da faculdade, formando um núcleo de excelência que projetou, internacionalmente, a instituição.

Covian também se dedicou à formação humanística dos estudantes e à reflexão sobre o papel social da Universidade. Mesmo após a aposentadoria, permaneceu ativo como intelectual e humanista, contribuindo para o diálogo entre mente e cérebro e para a vida cultural e católica de Ribeirão Preto. “Os trabalhos apresentados neste simpósio são fruto de pesquisas realizadas junto ao acervo do professor Miguel Rolando Covian, hoje sob a guarda do Centro de Memória e Museu Histórico da FMRP, para resgatar aspectos do pensamento e da personalidade do mestre, para além de sua contribuição na área das ciências fisiológicas. A preservação do acervo dependeu do trabalho voluntário de várias pessoas ao longo de três décadas. Graças a esse esforço coletivo de preservação e catalogação, o acervo continua sendo objeto de novas pesquisas”, afirmou a neurocientista Anette Hoffmann, professora colaboradora sênior da FMRP.

Para o chefe do Departamento de Fisiologia da FMRP, Luiz Carlos Navegantes, o professor Covian foi muito mais que um grande cientista. “Ele ajudou a construir a identidade do nosso departamento. Estruturou linhas sólidas de pesquisa em neurofisiologia e, ao mesmo tempo, deixou um exemplo humano de ética, rigor e dedicação ao ensino. Conciliava ciência de ponta com uma postura acolhedora, inspirando várias gerações de fisiologistas. Essa marca continua viva em nossa formação de alunos e pesquisadores. Preservar sua memória e seu acervo significa manter ativos valores que sustentam a vida acadêmica: curiosidade, independência intelectual e compromisso com o coletivo.” 

Já para o diretor da FMRP, Jorge Elias Junior, celebrar os 70 anos da chegada do professor Covian é reconhecer a visão pioneira que ajudou a formar os alicerces da nossa faculdade. “Ele foi um dos responsáveis por implantar o Departamento de Fisiologia e consolidar um modelo de universidade que alia excelência científica, liberdade intelectual e compromisso social. Sua trajetória mostra que a ciência deve estar a serviço da comunidade e que a universidade é um espaço de transformação. Esse legado continua a inspirar nossa instituição, que segue pautada por inovação, ética e responsabilidade na formação de profissionais e na produção de conhecimento”, destacou o professor Jorge Elias Junior.

Dom Moacir Silva, arcebispo de Ribeirão Preto, diz que “o rigor científico como pesquisador e mestre, sua abertura aos diferentes tipos de saber e a atenção aos relacionamentos no ambiente de trabalho são traços fundamentais que revelam a personalidade humana e acadêmica do professor Covian”. Ao mesmo tempo, diz, “seu firme empenho em propor uma formação integral e humanística ao estudante universitário, expresso em iniciativas acadêmicas e em diversos artigos que escreveu, testemunha sua presença ativa e marcante na construção e na elaboração do papel da Universidade”. 

Programação

As atividades em memória de Covian terão início no dia 4 de novembro, com a missa in memoriam celebrada pelo arcebispo de Ribeirão Preto, dom Moacir Silva, na Catedral Metropolitana. No dia 5, o simpósio reunirá professores, pesquisadores e ex-alunos em mesas-redondas e debates. Além da programação acadêmica, o evento será precedido pela Exposição Azul, com obras da artista plástica Deli Sampaio, no Espaço Cultural de Extensão Universitária (Eceu) da FMRP-USP, que pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, até fevereiro de 2026.

Serviço:

  • 4 de novembro: Missa in memoriam – 18h30 – Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto
  • 5 de novembro: Simpósio A Universidade Pensada e Vivida por Miguel Rolando Covian – das 9 às 17 horas – Anfiteatro da Bioquímica Prof. Renato Helios Migliorini – FMRP

*Com informações do jornalista Fernando Bueno, Assessoria de Imprensa do evento



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