Os neandertais (Homo neanderthalensis) representam uma linhagem extinta de hominínios, que derivaram de um ancestral comum com os seres humanos anatomicamente modernos (Homo sapiens) cerca de 500 mil anos atrás. Enquanto a linhagem que daria origem ao Homo sapiens se desenvolveu na África, adaptada a paisagens tropicais e um clima predominantemente quente, a linhagem que deu origem ao Homo neanderthalensis se desenvolveu principalmente na Europa e na Ásia Ocidental, adaptada ao clima frio e aos terrenos montanhosos da região, conhecida como Eurásia. Consequentemente, os neandertais desenvolveram uma anatomia diferenciada: eram mais baixos, mais corpulentos e tinham um crânio mais alongado do que os seres humanos modernos.
Os neandertais também sabiam usar o fogo, produziam ferramentas de pedra e tinham expressões artísticas. Apesar disso, eles desaparecem do registro fóssil cerca de 40 mil anos atrás. Cientistas acreditam que sua extinção tenha resultado de uma combinação de fatores; entre eles, a competição com o Homo sapiens, que surgiu na África cerca de 300 mil anos atrás e começou a ocupar a Eurásia entre 70 mil e 50 mil anos atrás. No tempo em que conviveram, as espécies também acasalaram: pesquisas indicam que entre 1% e 4% do genoma de todas as pessoas de origem não africana que habitam o planeta hoje foi herdado de neandertais. Mas há muitas dúvidas, ainda, sobre como essas interações ocorreram e até que ponto elas influenciaram, ou não, a evolução do Homo sapiens. Essa é uma das questões que a pesquisa brasileira busca elucidar, com apoio dos colegas romenos.
Várias espécies de hominínios surgiram ao longo dos milhões de anos de história da evolução humana, mas apenas o Homo sapiens sobreviveu, dando origem a todos os seres humanos “modernos” existentes hoje. Pesquisas arqueológicas sobre os neandertais não podem ser feitas em território brasileiro, porque a única linhagem de seres humanos que chegou ao continente americano foi a do próprio Homo sapiens, entre 14 mil e 30 mil anos atrás.


