domingo, maio 17, 2026
HomeSaúde física e emocionalInterconexão água-energia está cada vez mais crítica – Jornal da USP

Interconexão água-energia está cada vez mais crítica – Jornal da USP


O cenário energético brasileiro evidencia a importância fundamental da gestão integrada de recursos hídricos e energéticos

chapéu energia sustentável

Imagem é uma fotografia de uma barragem de usina hidrelétrica com três vertedouros jorrando água
No Brasil, a produção de energia está intrinsecamente dependente ao volume disponível de águas – Foto: wirestock/Freepik

 

Logo da Rádio USP

No Brasil, a energia flui, literalmente, pela água. Nossa matriz elétrica foi historicamente construída sobre a força dos rios, tornando o País uma potência mundial em geração hidrelétrica. Essa dependência, no entanto, cria uma interconexão crítica e cada vez mais tensa: o elo água-energia. Com as mudanças climáticas intensificando eventos extremos como secas e chuvas torrenciais, a gestão desses dois recursos não pode ser tratada de forma isolada. 

Fernando de Lima Caneppele – Foto: Arquivo Pessoal

Neste episódio da Série Energia, o professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) de Pirassununga da USP, analisa como essa interdependência funciona e por que um gerenciamento integrado é vital para nossa segurança energética.

O professor diz que o pilar do sistema elétrico brasileiro são as usinas hidrelétricas, que respondem por mais da metade da capacidade instalada no País. Segundo ele, os grandes reservatórios funcionam como gigantescas baterias, armazenando água durante os períodos chuvosos para garantir a geração nos meses de estiagem. O problema é que as crises hídricas recentes, como a severa seca de 2021, mostraram a vulnerabilidade do sistema. Com a redução drástica das chuvas em bacias hidrográficas vitais, os níveis dos reservatórios caíram a patamares críticos, forçando o acionamento massivo de usinas termelétricas para evitar um colapso no fornecimento.

O que muita gente não sabe é que as termelétricas também dependem criticamente da água. Seja a gás, carvão, biomassa ou nuclear, essas usinas precisam de imensos volumes de água para o resfriamento de suas turbinas e condensadores. Cria-se, assim, um paradoxo perigoso: justamente quando a falta de água afeta as hidrelétricas, a demanda por água para as termelétricas aumenta, gerando uma pressão dupla sobre os recursos hídricos. 

Em situações de estresse hídrico severo pode faltar água para gerar energia nas hidrelétricas e em alguns casos também para resfriar as termelétricas que deveriam cobrir esse déficit. Para Caneppele, este cenário evidencia a importância da gestão integrada de recursos hídricos e energéticos.

A Série Energia tem apresentação do professor Fernando de Lima Caneppele que coproduziu com o jornalista Ferraz Junior, da Rádio USP de Ribeirão Preto. Você pode sintonizar a emissora em FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS.  



Fonte