domingo, maio 17, 2026
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Profissionalização é o caminho para tornar a hospitalidade um diferencial no turismo – Jornal da USP


Para Alexandre Panosso Netto, é marcante para o turismo perceber que garçons, guias e outros profissionais não se limitam a cumprir regras ou protocolos de atendimento

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chapéu do ciência e turismo

Ilustração que mostra um grupo de cinco pessoas, em fila indiana, portando malas e bagagens
A invasão da informalidade em outros territórios fazem do País um espaço acolhedor para quem chega – Foto: pikisuperstar/Freepik
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A hospitalidade é o ato de acolher o outro, seja estrangeiro ou não. No contexto turístico, a prática é valorizada como diferencial em um destino de viagem, além de se caracterizar como valor cultural do local. 

De acordo com Alexandre Panosso Netto, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, é marcante para o turismo perceber que garçons, guias e outros profissionais não “se limitam a cumprir regras ou protocolos de atendimento”. 

O Boletim Informativo do Turismo Receptivo Brasileiro, publicado em 2019 pelo Ministério do Turismo, demonstra que a hospitalidade é o item com maior avaliação positiva pelos visitantes de fora do Brasil, com cerca de 97,9%. Outros aspectos bem avaliados foram: gastronomia, com quase 91,6%, e informação turística, que alcançou 914,6% dos turistas. 

Brasil

O professor lembra da obra Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Nela, são descritas questões da formação social brasileira — consideradas “traços” por seu autor, como o apreço às relações pessoais sobre as formais. “O brasileiro seria alguém que valoriza o afeto, a proximidade e a emoção acima de protocolos rígidos”, explica. 

Alexandre Panosso Netto – Foto: Lattes

Para Panosso, a invasão da informalidade em outros territórios fazem do País um espaço acolhedor para quem chega. A memória afetiva — aquela ligada a emoções marcantes no passado — é um dos fatores levados em conta na decisão de retornar a um destino. “É ela que transforma a visita em experiência”, afirma.

Segundo o especialista, a visão do Brasil no imaginário internacional tem potencial de gerar benefícios para o turismo interno. Assim, é essencial que os profissionais da área transformem a imagem em sustentável, respeitosa e autêntica. 

Especialização

Panosso defende que a profissionalização é o caminho para tornar a hospitalidade um diferencial competitivo, sem perder a espontaneidade. Fornecer ferramentas para que a naturalidade seja expressa de forma organizada e adequada a diferentes contextos culturais é uma recomendação. 

Dessa maneira, a forma de se relacionar com o turista carrega duas características contrárias: potência e risco. “Potência, porque nos torna um povo receptivo e criativo; risco, porque pode dissolver a fronteira entre o pessoal e o profissional.” Incorporar boas práticas de tratamentos tornam o sorriso, o acolhimento e a conversa em ativos estratégicos e serviços de qualidade. 

*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo


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