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Ranking integra pesquisa acadêmica para avaliar transparência governamental – Jornal da USP


Segunda edição do ranking elaborado pelo Laboratório de Governo da Faculdade de Direito da USP apresenta uma análise dos dados disponibilizados nos portais do governo federal, dos Estados brasileiros e de suas capitais

Pessoa apontando um site na tela de um computador
Estudo analisa dados disponibilizados nos portais de transparência na internet dos governos – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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A transparência pública é um dos pilares da boa governança e um instrumento essencial para fortalecer a confiança da sociedade nas instituições. Com o objetivo de avaliar e aprimorar a divulgação de informações pelos governos federal, estaduais e municipais, o Laboratório de Governo (LabGov) da Faculdade de Direito (FD) da USP lançou a segunda edição do Ranking da Transparência Administrativa. O estudo analisa os dados disponibilizados nos portais de transparência na internet dos governos a partir de pesquisas desenvolvidas coletivamente pelos participantes do LabGov. O levantamento foi realizado entre o segundo semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2024, pelo Núcleo de Estudos da Transparência Administrativa e da Comunicação de Interesse Público (Netacip). O ranking está disponível neste link (em formato de planilha eletrônica com extensão .xlsx) e o relatório com análises pode ser conferido clicando aqui.

Responsável pela condução do levantamento, o Netacip é uma das frentes de pesquisa do LabGov e atua no estudo e acompanhamento das políticas de transparência no País. No trabalho deste ano, os pesquisadores foram divididos em quatro grupos, cada um responsável por 13 a 14 localidades diferentes. O estudo avaliou o nível de transparência dos governos estaduais e das capitais brasileiras, combinando teoria e prática. Para isso, a equipe revisou e aprimorou uma metodologia já existente, mantendo o foco principal: oferecer uma visão ampla ao integrar o debate acadêmico com a realidade observada.

Com base nessa organização, os encontros do grupo alternaram entre discussão teórica e análise dos resultados da pesquisa. A partir desses dois eixos, o grupo elaborou um ranking com critérios que refletem a realidade e reforçam o princípio da transparência pública, considerando a evolução recente do tema e o impacto da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011 ou LAI) após mais de uma década de vigência. Os critérios avaliados foram além da mera disponibilização de informações, e incluíram facilidade de acesso, atualidade, clareza e possibilidade de download em diferentes formatos, para facilitar o uso dos dados.

Capa e páginas da publicação que tem download gratuito – Foto: Divulgação/LabGov

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O ranking é extenso, com mais de 40 quesitos. Segundo Marcos Perez, professor de Direito Administrativo da FD, o trabalho do LabGov é muito importante. Ele explica que, após a elaboração dos quesitos, os pesquisadores visitam todos os sites e checam os dados; caso haja alguma discordância, é feita uma revisão adicional. “Ficamos mais rigorosos após a divulgação da primeira edição porque o impacto é muito grande”, afirmou durante o lançamento, que ocorreu em setembro (transmissão do evento disponível neste link).

Marcos Perez, professor da FD e coordenador do ranking – Foto: Divulgação/FD

De acordo com o coordenador, percebe-se que quase todos os Estados brasileiros têm equipes dedicadas à transparência. “A máquina estatal está estruturada para ser opaca, para não fornecer informação a ninguém. Mas há um time perseverando — e é isso que o ranking tenta impulsionar, para que as coisas funcionem cada vez melhor no País”, acrescentou.

Paraná lidera o ranking

De acordo com o levantamento, o Estado do Paraná lidera o ranking de transparência, repetindo o mesmo desempenho do primeiro ranking de 2022, enquanto Sergipe ficou em último lugar. O Paraná atendeu a 95,83% dos critérios analisados. No ranking geral, que inclui governo federal, Estados e capitais, Porto Alegre (RS) ficou em segundo lugar, com 95,59% dos critérios atendidos, seguida por Cuiabá (MT), em terceiro, com 93,63%. Entre as capitais, Rio Branco (AC) apresentou o pior resultado, preenchendo apenas 58,58% dos requisitos, sendo a que mais perdeu pontos.

O Portal da Transparência do Governo Federal ficou em 11º lugar no ranking geral, atendendo 90,69% dos critérios avaliados e deixando de ser referência. O resultado, porém, foi melhor do que em 2022, quando o site atingiu 85,29% dos quesitos e ficou em 12º lugar. Apesar da melhora, o portal ainda não voltou a ser considerado referência.

Pontuação do governo federal e estados no ranking da transparência: maior pontuação = maior transparência – Foto: LabGov/FD USP

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Nesta segunda edição, alguns critérios de avaliação foram acrescentados aos itens analisados no levantamento anterior. O relatório de cada localidade foi elaborado com base nos principais eixos da pesquisa do ranking, divididos da seguinte forma: experiência de pesquisa; acesso a dados essenciais; ferramenta de busca e acesso à informação; e síntese dos pontos positivos e negativos.

Entre os problemas apontados pelo estudo estão a falta de identificação de gastos com programas específicos de saúde e educação, ausência de informações sobre gastos previdenciários e lacunas em licitações e contratos. Em 23% das cidades, não foram encontrados editais e minutas de contratos nos portais de transparência; em 19%, não há informações sobre os resultados das licitações. A cidade de São Paulo, classificada em 9º lugar entre as capitais, apresentou falhas em ambas as categorias.

Pontuação das capitais no ranking da transparência: maior pontuação = maior transparência – Foto: LabGov/FD USP

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Outro problema identificado pelo relatório é que, após os primeiros três minutos de busca, a maioria dos cidadãos desiste, frustrada por não conseguir obter a informação a que tem direito. O tempo e o número de cliques são pontos importantes, pois a transparência vai além da mera disponibilização de dados pelo poder público: ela garante que a informação possa ser acessada e compreendida pelo cidadão de forma simples e em tempo razoável, como destaca o relatório.

Atualmente, o Portal da Transparência da Câmara dos Deputados é uma das maiores referências em transparência administrativa. A formatação atual do portal foi desenvolvida levando em conta a análise do tempo de acesso à informação, buscando facilitar a experiência do usuário.

Confira o relatório completo neste link. Os dados do ranking, em formato de planilha, estão disponíveis clicando aqui.

 

Centro de pesquisa discute boas práticas de governança

Criado em 2023, o Laboratório de Governo (LabGov) da USP é um centro de pesquisa, cultura e extensão ligado ao Departamento de Direito do Estado da FD, que estuda temas como políticas públicas, governança e transparência administrativa. A proposta é ser um espaço de debate sobre práticas de boa gestão e colaborar com o fortalecimento das instituições públicas brasileiras.

O LabGov faz parte do Grupo de Pesquisa Direito Administrativo e Sociedade, registrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O laboratório desenvolve pesquisas voltadas à realidade do País e promove o diálogo entre universidade, setor privado e sociedade civil. Suas atividades são organizadas em núcleos que tratam de temas estratégicos para o debate público.

Evento inaugural do LabGov na Faculdade de Direito – Foto: Instagram/LabGov

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Um deles é o Núcleo de Estudos da Transparência Administrativa e da Comunicação de Interesse Público (Netacip). O grupo analisa, de forma prática e acadêmica, a aplicação da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011). O núcleo entende a transparência como um instrumento essencial para a democracia, permitindo que a sociedade acompanhe e avalie as ações do governo e participe da gestão pública.

Saiba mais sobre o LabGov no Instagram neste link.

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Com informações da Assessoria de Imprensa da Faculdade de Direito da USP





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