Mesmo com tensões geopolíticas, José Eli da Veiga acredita que a conferência de Belém possa alcançar avanços concretos na transição energética e firmar um novo compromisso global pelo clima
José Eli da Veiga fala aqui de suas expectativas em torno da COP30, observando que há uma grande torcida para que se transforme na melhor de todas até agora realizadas, uma aposta que a situação geopolítica mundial, “tão desfavorável”, não permite tornar provável. “No entanto, quando a gente começa a olhar direitinho, aparecem muitos caminhos que levariam a decisões que poderiam ser consideradas tão importantes a ponto de se dizer: ‘Olha, essa COP, no fundo, acabou sendo a melhor de todas’. Ou seja, contrariar essa ideia de que a conjuntura internacional ou a situação geopolítica mundial condenem a COP30 a não poder avançar. Ela, de alguma forma, provavelmente avançará, e isso que eu gostaria de levantar aqui como uma hipótese a ser pensada.”
Na opinião do colunista, para que a COP30 seja a melhor de todas, bastaria que produzisse um acordo – o Acordo de Belém, como provavelmente vai ficar conhecido – que fosse um pouco mais interessante que o Acordo de Paris, que “foi muito frouxo”, no sentido de que os países não cumpriram seus compromissos. “E agora estamos a dez dias da COP e muitos deles continuam sem ter apresentado as suas NDCs (Contribuição Nacional Determinada). A rigor, pode-se esperar que da COP30 saia um Acordo de Belém, eu arriscaria a dizer que é possível até que os países mais interessados em continuar com a exploração do petróleo – que apostam, na verdade, que o petróleo continuará rentável até meados do século – aceitem alguma formulação sobre o distanciamento dos combustíveis fosseis, desde que evidentemente também não tenham punições, como é praticamente a regra, ou seja, a rigor não é muito difícil de conseguir um acordo na COP30 que possa vir a ser considerado dessa forma, isto é, que o Acordo de Belém seja o melhor das 30 COPs.”
Sustentáculos
A coluna Sustentáculos, com o professor José Eli da Veiga, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção na Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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