sexta-feira, maio 15, 2026
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Excesso de sol durante o dia, mas termelétricas à noite a todo vapor – Jornal da USP


O Brasil enfrenta um paradoxo no sistema elétrico; enquanto isso, o consumidor paga a bandeira vermelha nas contas de luz

chapéu energia sustentável

 

imagem é uma fotografia do sol
Excesso de energia solar durante o dia não resolve o problema do abastecimento à noite – Foto: Freepik
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O Brasil está vivenciando um novo e profundo paradoxo em seu setor elétrico, um desafio que expõe as dores do crescimento da nossa matriz renovável. Se por um lado celebramos a expansão recorde da energia solar e eólica, por outro, enfrentamos uma contradição diária: um excesso de geração de energia limpa durante o dia e a necessidade de acionar termelétricas mais caras e poluentes durante a noite. No episódio de hoje, a Série Energia analisa por que esse descompasso acontece e quais os riscos e custos envolvidos.

Fernando de Lima Caneppele – Foto: e-aulas

Segundo o professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) de Pirassununga da USP, o fenômeno tem se intensificado ao longo dos últimos meses. Durante o dia, especialmente em horários de sol intenso, tipicamente entre 10h e 14h, a produção de energia solar — tanto de grandes usinas quanto da geração distribuída (GD) em telhados — atinge seu pico máximo. 

“Essa onda de energia renovável é tão massiva que, em muitos momentos, a oferta supera a demanda. Isso força o Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS) a tomar uma medida drástica: o curtailment, que é o desligamento forçado de usinas eólicas e solares para evitar uma sobrecarga e o colapso da rede”, afirma. Notícias recentes de outubro de 2025 já alertam que esse excesso de energia renovável, ironicamente, pode aumentar o risco de instabilidade no sistema.

Mas o problema se inverte abruptamente ao entardecer. Quando o sol se põe, essa imensa geração solar fotovoltaica desaparece quase instantaneamente, caindo a zero. Exatamente nesse momento, por volta das 18h às 21h, a demanda de energia do País atinge seu pico diário, pois as pessoas chegam em casa, acendem as luzes, ligam chuveiros e outros aparelhos. O sistema, que minutos antes estava “afogado” em energia, agora enfrenta uma rampa de subida de demanda vertiginosa que precisa ser atendida imediatamente.

A Série Energia tem apresentação do professor Fernando de Lima Caneppele que coproduziu com o jornalista Ferraz Junior, da Rádio USP de Ribeirão Preto. Você pode sintonizar a emissora em FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS. 



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