sexta-feira, maio 15, 2026
HomeSaúde física e emocionalPara os indígenas Guarani Mbya, saúde do corpo e do território são...

Para os indígenas Guarani Mbya, saúde do corpo e do território são indissociáveis – Jornal da USP


Para elaborar sua dissertação de mestrado – Saberes, práticas e o cuidado em saúde Guarani Mbya: diálogos entre corpo e tekoa – apresentada ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, a assistente social e pesquisadora Bruna Freire se voltou a duas questões centrais: como os povos indígenas Guarani Mbya entendem e praticam saúde? Como articular esse entendimento com as políticas públicas de cuidado voltadas a essas comunidades?

Para respondê-las, ela acompanhou de perto o dia a dia de duas aldeias no Litoral Sul do estado de São Paulo, a tekoa Paranapuã, no município de São Vicente, e a tekoa Nhanderekoa, em Itanhaém. Em colaboração com os membros das comunidades, Bruna Freire procurou entender de que maneira aspectos como o sonho, o profetismo e a filosofia do Bem Viver (teko porã, em guarani), junto com o uso de plantas medicinais, são essenciais para a concepção de saúde dos Guarani Mbya.

Tekoa, palavra guarani, é um termo que significa muito mais do que só “aldeia”. Junção dos morfemas “teko” (vida) e “a” (lugar) – um lugar no qual se vive de acordo com um modo de ser –, ele comunica uma cosmovisão que enxerga como uma só coisa os seres vivos e não vivos, os humanos, a floresta e o Cosmo. Todos são frutos da mesma matéria, partes indissociáveis que se emaranham em uma relação de reciprocidade e equilíbrio.

Tal é a filosofia do Bem Viver (teko porã) dos Guarani Mbya, uma noção de comunhão, reciprocidade e integralidade entre as pessoas, os espíritos e a natureza. “Eles entendem que, para que o corpo esteja saudável, para que realmente exista a saúde, é preciso que todo o ambiente seja saudável. Então, não existe saúde se você não está conseguindo plantar, porque, se você não está conseguindo plantar, você não está comendo o alimento verdadeiro. Logo, o seu espírito vai enfraquecer e seu corpo vai adoecer”, explica a assistente social em entrevista ao Jornal da USP.



Fonte