sexta-feira, maio 15, 2026
HomeSaúde física e emocionalInstituto de Física diploma três estudantes mortos durante a ditadura militar –...

Instituto de Física diploma três estudantes mortos durante a ditadura militar – Jornal da USP


Na tarde desta segunda-feira, dia 3 de novembro, o Instituto de Física (IF) concedeu diplomas honoríficos aos estudantes Jeová Assis Gomes, José Roberto Arantes de Almeida e Juan Antônio Carrasco Forrastal, assassinados durante a ditadura militar brasileira.

“As universidades são agências civilizatórias. Em cerimônias como esta, dizemos que, pelo menos no âmbito da Universidade, nós não concordaremos em viver com a barbárie, com a violência, com o terror. Esses três diplomados eram estudantes, eram pessoas que lutavam por um País diferente, mais justo e mais livre. É a barbárie que rejeita a vida civilizada e todos os valores essenciais da existência humana”, afirmou a vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda.

A solenidade, realizada no Auditório Abrahão de Moraes, integra o projeto Diplomação da Resistência, que concedeu diplomas honoríficos de graduação aos 33 estudantes da USP vítimas do período.

“Esta é uma cerimônia tardia, mas necessária, em que estamos diplomando aqueles que faleceram antes de se formar. Temos também outros colegas e professores desta casa vítimas da ditadura que não estão esquecidos e serão homenageados em outra ocasião”, afirmou a diretora do Instituto de Física, Kaline Rabelo Coutinho.

Receberam o diploma em nome dos estudantes: Rafaela Altoé Carrasco Forrastal, sobrinha de Juan Antônio Carrasco Forrastal; Décio Assis Gomes, irmão de Jeová Assis Gomes; e Carlos MacDowel, amigo de José Roberto Arantes de Almeida.

“Esses diplomas são, ao mesmo tempo, testemunho e promessa. Testemunho de uma violência que não pode se repetir e promessa de uma universidade que aprende com seu passado e se compromete com o futuro. Esta diplomação é um ato de inclusão no seu sentido pleno. Inclusão significa reconhecer as exclusões históricas e os silenciamentos produzidos nesse período e promover o pertencimento, ou seja, garantir o espaço, a voz e a dignidade para todos e todas”, ressaltou a pró-reitora adjunta de Inclusão e Pertencimento, Miriam Debieux Rosa.

O pró-reitor adjunto de Graduação, Marcos Neira, ressaltou que “esse projeto nasceu do compromisso de transformar o diploma, símbolo de mérito acadêmico, em ato político de reparação e resistência, reafirmando que a Universidade é, antes de tudo, um território de liberdade e dignidade. Cada cerimônia, cada nome pronunciado, cada diploma entregue é um fragmento de verdade restaurado, um gesto de amor público à democracia e à memória”.

Os professores aposentados do instituto, Dina Lida Kinoshita e Luis Carlos de Menezes, que conviveram com os estudantes homenageados, deram depoimentos sobre os acontecimentos do período.

Também participaram da cerimônia o diretor de Direitos Humanos e Políticas de Reparação, Memória e Justiça da PRIP, Renato Cymbalista; o representante do Diretório Central dos Estudantes, Pedro Tavares; os representantes do Centro Acadêmico do Instituto de Física (Cefisma), Beatriz Persole, Elisa Torrecilha e Nadson Vital; o vereador Eliseu Gabriel; além de amigos e familiares dos homenageados.



Fonte