sexta-feira, maio 15, 2026
HomeSaúde física e emocionalAgenda SP+Verde reforça integração entre USP, governo e prefeitura de São Paulo...

Agenda SP+Verde reforça integração entre USP, governo e prefeitura de São Paulo – Jornal da USP


Evento pré-COP teve início no dia 4 de novembro com debates sobre sustentabilidade, assinatura de acordos ambientais e destaque para o papel da USP na articulação científica da agenda climática

Por

Parque com roda-gigante ao fundo e placa com os dizeres Agenda SP Mais verde
Summit Agenda SP+Verde foi realizado no Parque Villa Lobos – Foto: Michel Sitnik

 

USP Sustentável

 Realizado no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, o Summit Agenda SP+Verde reuniu, no dia 4 de novembro, representantes do poder público, da academia e do setor privado para discutir o avanço de políticas e iniciativas voltadas à economia verde e ao desenvolvimento sustentável. O evento foi promovido em parceria pela USP, Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura do Município de São Paulo como parte da preparação para a COP30, que será sediada neste mês em Belém.

A cerimônia de abertura foi marcada pela assinatura de acordos e decretos com foco na cooperação ambiental e na transição para um modelo de desenvolvimento de baixo carbono. Entre eles, a criação do Parque Estadual do Morro Grande, em Cotia, voltado à proteção de mananciais e nascentes estratégicas para o abastecimento da região metropolitana de São Paulo.

Também foram firmadas uma carta de intenções entre os governos de São Paulo e Mato Grosso do Sul para cooperação em políticas climáticas; um acordo de cooperação entre a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para a modernização da gestão ambiental no setor sucroenergético; e outro acordo, entre a Cetesb, a Visiona Tecnologia Espacial e a Florestar, para o uso de satélites no monitoramento e na recuperação florestal. A Prefeitura de São Paulo instituiu, ainda, o orçamento climático municipal, instrumento que orienta o financiamento de ações de mitigação e adaptação às mudanças do clima.

“A qualidade de vida que temos hoje é muito superior à de cem anos atrás. A humanidade evoluiu muito nesse período, e a mudança foi significativa. Mas, para que ela acontecesse, usamos tecnologias e metodologias que liberaram uma quantidade muito grande de CO₂ na atmosfera. O que estava armazenado nas árvores e no petróleo acabou indo para o ar. Se continuarmos com esse mesmo modelo de desenvolvimento, chegará um momento em que o planeta não será mais habitável. Precisamos, portanto, garantir os ganhos de qualidade de vida, mas mudar o modelo de desenvolvimento para que ele seja mais sustentável. E, para que isso aconteça, pelo menos três instituições precisam atuar de forma ativa: o Estado, as universidades e as empresas. O Estado deve ter políticas públicas, ações, financiamento e visão de longo prazo. As universidades e as empresas são as que geram e aplicam o conhecimento. Esses três atores precisam trabalhar juntos para que possamos promover um novo modelo de desenvolvimento, com ganhos de qualidade de vida e preservação do planeta”, asseverou o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior.

O reitor apontou o alto nível de colaboração que tem acontecido em São Paulo nesse sentido: “Fico contente porque essas três instituições estão presentes aqui em nosso Estado, que conta com universidades públicas engajadas nesse projeto de desenvolvimento sustentável, dando a São Paulo todas as condições de liderar esse processo, tanto no Brasil quanto no mundo. A USP mantém convênios com praticamente todas as secretarias estaduais, o que nos enche de orgulho e reforça nossa disposição para colaborar com qualquer iniciativa do Estado voltada à preservação do planeta”, disse. 

Homem de paletó e gravata fala ao microfone em um palco
“Governo, academia e setor produtivo precisam trabalhar juntos para que possamos promover um novo modelo de desenvolvimento, com ganhos de qualidade de vida e preservação do planeta. São três atores que temos em nosso Estado, dando a São Paulo todas as condições de liderar esse processo”, afirmou o reitor – Foto: Marcos Santos/USP Imagens


Para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o papel das universidades paulistas na promoção de soluções inovadoras para a transição energética e a sustentabilidade tem sido fundamental. “Eu tenho que agradecer muito à academia. Nossa parceira neste evento, a USP é uma universidade que nos orgulha muito, mas eu estendo meus agradecimentos também à Unicamp e à Unesp. Obrigado por tudo o que vocês têm feito pelo Estado de São Paulo, pela parceria de sempre, pelo entusiasmo. Tenho acompanhado o que está acontecendo no ramo da transição energética dentro da Universidade de São Paulo, que é absolutamente inovadora, como a questão da produção de hidrogênio a partir da reforma do etanol. Parabéns à nossa academia, que nos enche de orgulho”, destacou.

O governador ressaltou, também, a importância de integrar planejamento, inovação e preservação ambiental para fortalecer a resiliência hídrica e o desenvolvimento sustentável no Estado. Segundo ele, São Paulo vem consolidando políticas e ações estruturantes, como a criação de novos parques, investimentos em saneamento, programas de reflorestamento e parcerias com o setor privado e a comunidade científica. “São Paulo vai ser um grande exemplo, uma referência em sustentabilidade. Vamos em frente, porque o futuro que vem por aí é um futuro verde”, concluiu.

Homem de pé, de paletó, fala ao microfone em um púlpito de acrílico transparente. Ao lado outro homem, de terno e gravata, está sentado
O governador de São Paulo celebrou a parceria com as universidades públicas paulistas e o alto grau de inovação tecnológica que vem sendo produzido pela academia em prol da sustentabilidade – Foto: Marcos Santos/USP Imagens


O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, comentou sobre o papel das cidades como protagonistas no enfrentamento das mudanças climáticas e apontou os avanços alcançados com a implementação de políticas locais voltadas à sustentabilidade. “São Paulo recebeu o reconhecimento da ONU [Organização das Nações Unidas] como uma cidade comprometida e referência mundial nas ações em sustentabilidade e meio ambiente. O que tenho enfatizado é que todos nós já estamos cansados de reuniões e discursos sobre o que precisa ser feito. É hora de fazer e mostrar o que já está sendo feito, trazer ações concretas e resultados reais”, afirmou.

Nunes fez uma ressalva sobre a importância da questão econômica envolvida nesse processo: “É importante lembrar: não há sustentabilidade sem investimento. Para substituir os ônibus a diesel pelos elétricos, foram necessários R$ 6,5 bilhões. Estamos investindo mais R$ 14 bilhões na construção de quatro unidades de recuperação energética [UREs], que são ecoparques que transformarão lixo em energia. Cada unidade produzirá cerca de 250 megawatts, energia suficiente para abastecer 75% da iluminação pública da cidade. Tudo isso só é possível com uma gestão responsável, que cuida dos recursos públicos e respeita a Lei de Responsabilidade Fiscal, que completa 25 anos. Responsabilidade fiscal também é sustentabilidade: não dá para proteger o meio ambiente sem equilíbrio financeiro”.

Homem de paletó fala ao microfone em um palco, cercado de outras pessoas que estão sentadas
O prefeito de São Paulo chamou a atenção para a urgência de ações imediatas e concretas, ressaltando também que muitas das iniciativas demandam grande investimento financeiro por parte do poder público – Foto: Marcos Santos/USP Imagens


Organizado em quatro eixos temáticos — Finanças Verdes; Resiliência e Futuro das Cidades; Justiça Climática e Sociobiodiversidade; e Transição Energética e Descarbonização — o Summit, que se estende até hoje, dia 5 de novembro, tem estimativa de público de cerca de 10 mil pessoas e 500 palestrantes, que participam de oficinas, exposições, painéis, encontros, visitas guiadas, apresentações culturais e debates voltados à construção de políticas públicas e à integração entre governo, academia e setor produtivo em áreas como inovação, investimentos sustentáveis e novas formas de cooperação internacional. 

A partir do dia 6, a agenda se estende para o campus da USP com outro evento pré-COP, que reunirá uma série de mesas e debates abertos ao público. Os interessados podem consultar a programação e fazer as inscrições aqui

Público de muitas pessoas, sentado de costas, vê um palco com várias pessoas
A estimativa é que o evento receba cerca de 10 mil pessoas em uma programação que envolve 500 palestrantes, atividades, visitas guiadas, workshops e exposições – Foto: Marcos Santos/USP Imagens



Fonte