sexta-feira, maio 15, 2026
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Brasil pode adiantar em dez anos meta de zerar emissões do efeito estufa – Jornal da USP


De acordo com o relatório, os biocombustíveis líquidos se tornarão o núcleo da economia neutra em carbono, sendo cerca de 64% provenientes da cana-de-açúcar. O cenário indica uma transição energética mais intensa, com eliminação quase total das energias fósseis, em particular o petróleo, com predomínio absoluto de fontes de energia primária renovável, como biocombustíveis (biomassa lignocelulósica e cana-de-açúcar), hidráulica e fontes renováveis intermitentes (eólica e solar). A mudança demanda fechamento de refinarias de petróleo e rápida expansão de renováveis e de biocombustíveis avançados, criando resiliência econômica e climática de longo prazo.

Apesar das trajetórias distintas, ambos os caminhos dependem de governança ambiental robusta e de investimentos consistentes. No Afolu-2040, o investimento adicional seria de cerca de 1% em relação à meta atual. A transição energética ocorreria de forma mais gradual, com os combustíveis fósseis ainda representando 46% da energia primária em 2040 — ante a 22% no cenário focado na transição energética. Já o Energy-2040 demandaria aproximadamente 20% a mais em investimentos, devido à instalação de novas tecnologias e infraestrutura.

O relatório conclui que o Brasil pode antecipar sua neutralidade climática para 2040, mas isso exigirá transformações estruturais no uso da terra e no sistema energético. Ambos os cenários eliminam o desmatamento ilegal até 2030 e ampliam o uso da terra, mudança no uso da terra e florestas como principal sumidouro. A neutralidade em emissões até 2040 é tecnicamente possível, apoiada na bioenergia, em tecnologias de captura e armazenamento de carbono e em governança territorial integrada, porém exige investimentos inéditos, coordenação entre os diferentes setores da economia e parcerias público-privadas.

Os pesquisadores ressaltam que o sucesso no cumprimento das metas depende de distribuir custos e benefícios de forma justa, garantindo inclusão social e justiça climática, com potencial criação de empregos verdes, que contribuem com a redução de emissões e a melhora da qualidade ambiental, em áreas como agricultura, reciclagem, setor energético e transportes Segundo o relatório, a concretização dos cenários previstos fará do Brasil um modelo a ser seguido internacionalmente, com base em uma receita desenvolvida no Sul Global, demonstrando que ações climáticas antecipadas são compatíveis com o objetivo maior de desenvolvimento sustentável para todos.

O evento de lançamento pode ser acompanhado por este link a partir das 15 horas dessa quarta (05). No site, também é possível baixar o relatório.

*Com informações do Instituto Amazônia 4.0 e Agência Bori

Mais informações: e-mail nnascimento@usp.br, com Nathália Nascimento, e mercedes@unb.br, com  Mercedes Bustamante

*Estagiária sob orientação de Moisés Dorado



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