Entre 2014 e 2018, as conferências do clima da ONU consolidaram o maior pacto ambiental da história, unindo 195 países em torno da meta de limitar o aquecimento global e fortalecer a governança climática mundial


Entre 2014 e 2018, as Conferências do Clima (COPs) desempenharam um papel essencial na construção do Acordo de Paris, o tratado internacional mais importante sobre mudanças climáticas.
O início em Lima: a base para um acordo global
A COP20, realizada em Lima (2014), elaborou o Rascunho de Lima, documento-base para um acordo climático global. Já na COP21, em Paris (2015), 195 países aprovaram o Acordo de Paris, que estabeleceu o compromisso de limitar o aquecimento global abaixo de 2 °C, buscando não ultrapassar 1,5 °C. Os países se comprometeram ainda com metas nacionais de redução de emissões, as chamadas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas).
COP22: de Paris à ação
Na COP22, em Marrakesh (2016), conhecida como COP da Ação, começaram as discussões sobre financiamento climático, transferência de tecnologia e adaptação. A COP23, em Bonn (2017), estruturou o Livro de Regras de Paris, que orienta como medir e relatar as emissões.
COP23: o Livro de Regras e a voz das ilhas

A COP23, em Bonn (Alemanha, 2017), sob a presidência das Ilhas Fiji, avançou na regulamentação do Acordo. A conferência também deu voz especial aos países insulares, que enfrentam riscos imediatos com a elevação do nível do mar.
Por fim, a COP24, em Katowice (Polônia, 2018), consolidou o Livro de Regras de Paris, estabelecendo diretrizes comuns e obrigatórias para que todos os países possam reportar suas metas de forma transparente e comparável. Apesar de tensões políticas, o encontro foi visto como um passo essencial para dar credibilidade e viabilidade ao Acordo de Paris.
No que diz respeito ao meio ambiente nessa época, houve um fortalecimento de metas pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) – uma organização científica e política criada pelas Nações Unidas que avalia a ciência relacionada às mudanças climáticas, suas implicações e opções de adaptação e mitigação
Segundo o especialista em mudanças climáticas, professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes da USP e do Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEE-USP), que trabalha com políticas públicas relacionadas ao meio ambiente da USP, o entendimento político entre EUA e China foi decisivo para viabilizar o Acordo de Paris, embora o cenário econômico — com queda nas energias renováveis — tenha dificultado avanços. Em 2018, o IPCC reforçou a urgência de limitar o aquecimento global e destacou a responsabilidade coletiva dos países.
Apesar do avanço diplomático, o acordo teve metas ambiciosas, porém não obrigatórias, e muitas nações não as cumpriram. Ainda assim, o ciclo da COP20 à COP24 consolidou as bases da governança climática global, transformando o debate sobre o clima em um esforço universal e decisivo para o futuro do planeta.
De Lima a Katowice
O ciclo que vai da COP20 à COP24 representa um avanço histórico na governança climática global. Em apenas quatro anos, o mundo passou da negociação à implementação de um tratado que universalizou o esforço climático, marcando um passo decisivo na luta global contra a crise climática e na busca por um futuro sustentável para o planeta.
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