Assim, o novo diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), Carlos Pelleschi Taborda, deu início ao seu discurso na cerimônia que marcou a sua posse e a da vice-diretora do instituto, Marinilce Fagundes dos Santos
Por Adriana Cruz

“O Instituto de Ciências Biomédicas [ICB] é uma instituição que ao longo dos seus 56 anos tem sido símbolo de excelência científica, inovação e compromisso com a formação de profissionais das ciências biomédicas, biológicas e da saúde. Estamos no início de um novo capítulo, sem dúvida, desafiador, que pretendemos escrever ao lado de toda a comunidade da USP, com espírito colaborativo e compromisso ético.”
Assim, o novo diretor do ICB, Carlos Pelleschi Taborda, deu início ao seu discurso na cerimônia que marcou a sua posse e a da vice-diretora do instituto, Marinilce Fagundes dos Santos. O evento foi realizado no dia 6 de novembro, na sala do Conselho Universitário, no prédio da Reitoria.
Durante sua fala, Taborda apresentou um histórico sobre a criação do ICB, que foi criado em 1969, como resultado das mudanças do Estatuto da USP, introduzidas pela Reforma Universitária de 1968. Segundo ele, a reforma transformou as antigas cátedras em departamentos e reuniu docentes das chamadas ciências básicas, das Faculdades de Medicina, Odontologia, Farmácia e Medicina Veterinária. “As cátedras em histologia, embriologia, anatomia, fisiologia, farmacologia, microbiologia, imunologia e parasitologia, desmembradas das suas unidades, passaram a constituir os departamentos do ICB, tendo o professor Paulo Toledo Artigas como seu primeiro diretor, indicado pelo Conselho Universitário “, contou.
“O ICB, além do curso de Ciências Biomédicas e de Ciências Fundamentais para a Saúde, é corresponsável pela formação de profissionais das carreiras de ciências biológicas e da saúde, como ciências biológicas, biotecnologia, medicina, fisioterapia, fonoaudiologia, farmácia, odontologia, medicina veterinária, enfermagem, obstetrícia, nutrição, química, educação física, esportes, oceanografia, psicologia, terapia ocupacional, engenharia ambiental e matemática aplicada, totalizando uma média de 4.500 alunos semestralmente nas nossas unidades”, complementou o novo diretor.
Taborda também falou sobre a responsabilidade social do instituto em relação à divulgação científica. “Vivemos um período no qual o conhecimento científico é simultaneamente mais acessível, mas também mais contestado. Um período em que muitos desafiam uma informação verídica de qualidade e no qual a polarização social ameaça o diálogo racional e o progresso coletivo. A produção de pesquisa com critérios muito rigorosos e a divulgação dessa pesquisa para a sociedade científica, e para a sociedade em geral, que nos mantém por meio de impostos, é um fator muito importante. A responsabilidade social do instituto exige de nós não apenas o avanço no conhecimento em si e a educação de excelência, mas também a democratização do saber, a transparência e a ética em cada etapa da produção de divulgação científica de qualidade”, ressaltou.

Novos projetos
O novo diretor elencou os projetos que pretende implantar nos próximos quatro anos. “Desejamos implementar uma gestão que valorize acima de tudo o capital humano, procurando promover o desenvolvimento pessoal e profissional de cada membro de nossa comunidade. Pretendemos ampliar e fortalecer as parcerias, tanto no âmbito nacional quanto internacional, esperamos manter o instituto como um polo atrativo para grandes projetos científicos que envolvam pesquisa translacional, ampliando as nossas conexões com o setor público e privado”, disse.
Em relação à cultura e extensão universitária, Taborda mencionou o incremento das atividades extensionistas curriculares. “Acreditamos, no entanto, na capacidade da nossa comunidade de superar as adversidades e de construir um ambiente atrativo e tecnológico para o desenvolvimento de pesquisa de excelência e fortalecer iniciativas para a formação de profissionais preparados para serem os nossos próximos líderes. Tenho certeza de que estamos motivados e comprometidos pela missão recebida para que o Instituto de Ciências Biomédicas continue sendo um polo de excelência em pesquisa, ética e inovação”, salientou.
Busca da excelência
O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, destacou o compromisso da nova diretoria do ICB com as “diretrizes da Universidade em relação à graduação, à pós-graduação, à extensão e à inclusão e pertencimento, o que mostra a vontade que o instituto tem de fazer modificações em busca da excelência”.
“A Universidade de hoje não pode ser a mesma de 1934. Nós temos valores comuns, como excelência, formação de recursos humanos, pesquisas de ponta, mas o modo de nós fazermos isso é muito diferente. Precisamos nos atualizar. A Universidade não pode estar em dicotomia com a sociedade”, afirmou o reitor.
O reitor citou o novo prédio para o Centro Didático das Químicas que está sendo construído na Cidade Universitária, que abrigará um conjunto de espaços dedicados ao ensino e contará com a participação de várias unidades da USP, além do ICB: Instituto de Química (IQ), Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), o Instituto de Biociências (IB) e o Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica (Poli). “Este edifício está sendo feito porque houve um pedido de várias unidades. Essa nova estrutura física deve se refletir nos currículos, nas atividades conjuntas, para que nós possamos fazer com que nossos alunos circulem no espaço, circulem com os nossos professores, interajam com outras unidades”, considerou.

Quem são
Carlos Pelleschi Taborda é professor titular do Departamento de Microbiologia do ICB. Biomédico, possui mestrado e doutorado em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pós-doutorado em Imunologia das Infecções Fúngicas pela Yeshiva University – Albert Einstein College of Medicine, nos Estados Unidos. Tem ampla atuação acadêmica e administrativa, com destaque para sua experiência em micoses sistêmicas e emergentes. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Microbiologia e é, atualmente, coordenador adjunto da área de Ciências Biológicas III na Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Também desenvolve projetos junto à Universidade de Exeter, na Inglaterra, com a qual coordena o Centro de Micologia Médica da América Latina (CMM Latam), sediado no USP. Foi vice-diretor do ICB no período de 2021 a 2025.
Marinilce Fagundes dos Santos é docente titular do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do ICB. Graduada em Odontologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), possui mestrado e doutorado pela USP e realizou estágios de pós-doutorado na University of Tennessee e no National Institutes of Health, nos Estados Unidos. Ao longo da carreira, coordenou diversas comissões acadêmicas e foi cofundadora do Centro de Facilidades para a Pesquisa (Cefap) da USP, além de manter intensa atividade de pesquisa nas áreas de diabetes, cicatrização e sinalização celular. De 2020 até 2024, foi chefe do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento, do qual atualmente é vice-chefe. Também atuou na direção da Sociedade Brasileira de Biologia Celular de 2006 até 2022.
Assista, a seguir, à íntegra da cerimônia de posse da nova Diretoria do ICB.


