sexta-feira, maio 15, 2026
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Pesquisadora premiada propõe práticas antirracistas na pedagogia – Jornal da USP


A pesquisa foi motivada pelas experiências de racismo que Fabiana e seus familiares viveram nos períodos em que frequentaram a escola. No prólogo de sua dissertação, a educadora narra o evento de sua formatura na Educação Infantil. Seus cachos – preparados pela sua mãe, um a um, para a foto – foram desfeitos, penteados a seco, pela equipe docente da creche. “Disso resultou uma tristeza profunda e intensa por parte de minha mãe, que por anos não conseguiu sequer olhar a foto. A pequena Fabi também não gostou”, escreve.

Para ela, é importante “entender que todos estão aprendendo a partir do toque e se a criança entende que o corpo dela é rejeitado, ela vai crescer se rejeitando também”.

Esses imaginários coletivos, ela propõe, devem ser recriados a partir de novas narrativas positivas na mídia, na escrita e nas imagens. “Precisamos existir em outros lugares, e não nos lugares que esperam nos encontrar”, afirma.

Utilizando o termo “pedagogias emancipatórias”, a autora defende práticas de aprendizagem que promovam ferramentas para o desenvolvimento de pensamento crítico e transformação social contra todas as formas de desigualdades sociais e raciais ou de gênero e sexualidade. Para isso, ela sugere uma curadoria na biblioteca das escolas visando a revisão dos materiais disponibilizados e a implementação de livros com tematicas raciais, de autores negros, ilustrados sem estereótipos.

Fabiana entende que existem três linhas de frente para combater o racismo estrutural no processo formativo: referência bibliográfica reformulada, um currículo articulado à Lei nº 11.645/08 (que exige o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena) e a formação continuada dos professores.

Nesse último mês de setembro, seu texto foi laureado melhor mestrado em educação pelo V Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos Unicamp-Instituto Vladimir Herzog. O prêmio é uma iniciativa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) junto com o Instituto Vladimir Herzog, e reconhece pesquisas de graduação, mestrado e doutorado em diferentes áreas, com o objetivo de fortalecer o compromisso entre a universidade pública e a sociedade na defesa dos direitos humanos para as gerações do presente e do futuro.



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